Entre folhas e livros, encontro um papel em que, talvez numa tarde menos ocupada na biblioteca da JNU, apontei os resultados de pesquisa por nomes de países no seu cátalogo. Os resultados teriam tido mais impacto há uns meses, antes da chegada do Presidente Cavaco Silva e da consequente redescoberta portuguesa de uma Índia que, por tantos anos, condenámos ao esquecimento. Mesmo assim, são simbólicos.domingo, 15 de abril de 2007
Uma perspectiva geoliterária
Entre folhas e livros, encontro um papel em que, talvez numa tarde menos ocupada na biblioteca da JNU, apontei os resultados de pesquisa por nomes de países no seu cátalogo. Os resultados teriam tido mais impacto há uns meses, antes da chegada do Presidente Cavaco Silva e da consequente redescoberta portuguesa de uma Índia que, por tantos anos, condenámos ao esquecimento. Mesmo assim, são simbólicos.Realmente sem comentários
"É uma força nacionalista a ter em conta, este movimento hindu, para eventuais alianças num futuro próximo, em nome da raiz indo-europeia, da liberdade e da diversidade religiosa".
Entretanto, um outro, noutro blogue, apelida os jovens indianos de nazis:
"Nazis indianos contra Cavaco Silva"
sábado, 14 de abril de 2007
Novidades Supergoa.com
AGENDA:14/4/2007 • Assembleia Eleitoral da Casa de Goa (mandato 2007-2010)
15/4/2007 • Programa Contacto Goa está de volta na RTPi e RTP África
21/4/2007 • Almoço de Primavera da Revista Ecos do Oriente (Lisboa)
8/5/2007 • A Aula de Marinha de Goa, dos sécs. XVII a XIX (Palestra)
19/5/2007 • 7º Encontro Anual dos Beirenses (Quinta Velanciana)
ÚLTIMAS NOTÍCIAS:
14/4/2007: Bardez acolhe Casa dos Dragões goesa
Segundo o site oficial do Futebol Clube do Porto, Goa conta a partir deste mês com a 117ª delegação daquele clube nortenho. Com sede no distrito de Bardez, a iniciativa coube aos dragões goeses Bruno Coutinho e Lavino Rebelo, entre outros simpatizantes. É mais um laço de amizade desportiva luso-goesa.
13/4/2007: Documentos sobre S. Francisco Xavier na Torre do Tombo
Uma exposição sobre a linhagem de S. Francisco Xavier está patente no na Torre do Tombo até 31 de Maio. Poderá consultar 50 documentos relativos às origens de São Francisco Xavier e o respectivo enquadramento social e político, bem como a história do Castelo e Senhorio de Xavier, que remonta ao século XIII.
12/4/2007: Porto empresta códice raro de Vasco da Gama
A Câmara do Porto aprovou ontem a cedência temporária ao Museu Histórico Alemão, em Berlim, do códice "Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama à Índia", segurado em oito milhões de euros.
Outras notícias recentes:
Sesa Goa na mira de milionários 11/4/2007
Casa de Goa recebe diáspora em Junho 4/4/2007
Sub-15 goeses a caminho de Lisboa 2/4/2007
Vakil recandidata-se à Comunidade Islâmica de Lisboa 25/3/2007
Turismo de habitação com apoio português 22/3/2007
Museu do Oriente abre daqui a um ano 21/3/2007
Consultores europeus adoptam Índia 20/3/2007
Goa Bachao 17/3/2007
«O futebol goês precisa de uma revolução» 17/3/2007
Moldes indianos atraem atenção da CEFAMOL 14/3/2007
ÚLTIMA CRÓNICA:
11/4 - Opinião: The Uses and Abuses of All Things Portuguese
Um artigo de opinião que procura fazer um balanço sobre a herança portuguesa na Goa de hoje. Augusto Pinto divaga de forma descomplexada sobre as dimensões lusófonas da identidade goesa e sobre os principais debates que tal tem suscitado em vários quadrantes ideológicos.
Outras Crónicas recentes:
Newsletters AAPUI: Economia indiana eufórica 4/4/2007
Goa Eterna: A vida de Dom José Vieira Alvernaz 28/3/2007
Opinião: O caso de Goa (Palestra) 27/3/2007
Goa Eterna: Die Natter (A cobra) em Calangute 24/3/2007
Opinião: President of Portugal takes the Last Bus to Vasco 23/3/2007
ÚLTIMOS RECORTES:
Praias e igrejas fazem sucesso de Goa 21/3/2007
Goa Bachao 17/3/2007
Mariano Barreto lembra Goa 15/3/2007
Invasão de Goa foi «ilegal» para Azeredo 14/3/2007
Fortaleza com cocos e pé na água (Chaul, Korlai, Mandapeshwar) 8/3/2007
Conversa com vista para... Rosa Maria Perez 26/11/2006
Citações de Deli: João Mira Gomes
"O tempo permite encarar a história de uma forma menos apaixonada, sobretudo se consideradas situações de conflitualidade bélica. A realidade da I Grande Guerra pertence inteiramente aos manuais de história. Gradualmente isso será cada vez mais verdade para a Guerra na Índia Portuguesa, Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau. Estamos, por isso, a aproximarmo-nos do tempo em que a "memória partilhada" entre Portugal e aqueles países independentes, parceiros e amigos, deverá ocupar um lugar próprio no relacionamento bilateral, entre governos e entre povos."A nossa empregada
Sempre no fim
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Trânsito matinal
quarta-feira, 11 de abril de 2007
O Glorioso não vem à Índia
Face ao elevado número de encargos na agenda, os encarnados já recusaram um convite proveniente da Índia. Salem não larga Portugal
terça-feira, 10 de abril de 2007
Um avião e a nossa imagem
Desconfiei logo, na minha leitura matinal dos jornais. Dois aviões da Air India foram forçados ontem a aterrar de emergência no Aeroporto Internacional de Deli (IGI), sendo que o trem de aterragem de um deles sucumbiu.Lembrando-me desta notícia (EuroAtlantic Airways serve Air India) e encontrando esta afirmação de um passageiro de um dos aviões acidentados ("This Aircraft was 16 years old from Portugal"), parece confirmar-se a minha suspeita: o segundo avião (não este na fotografia) é um dos que a nossa EuroAtlantic Airways disponibilizou à transportadora aérea indiana recentemente. Salvo erro, vinha de Dubai (AI-736) e era um Boeing 767.
Assim, com negócios da China e aviões em terra (literalmente), a nossa imagem na Índia não vai longe. Para nosso bem, ainda bem que a imprensa indiana (ainda) não cobriu este assunto da proveniência dos aviões e as suas condições de segurança.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Aparanta, amanhã
Amanhã, Aparanta. Uma exposição inédita das mais importantes figuras artísticas goesas (entre outras: Trindade, Fonseca, Gaitonde, Souza, Pai, Antonio e Costa, Viraj Naik), em diálogo com dezenas de outros grandes nomes da arte indiana. É inaugurada amanhã no histórico e renovado edifício da Escola Médica de Goa, em Panijm, estando patente até dia 24 de Abril próximo. Curador é Ranjit Hoskote. Fica este excerto (de um texto do catálogo), da autoria de Vivek Menezes, uma das raras oásis no imenso deserto que é ainda o panorama intelectual goês de hoje.
Confiando: Mercado (tomates)
Confiando
domingo, 8 de abril de 2007
Aldrabando: Peso das uvas
Citações de Deli: Vir Sanghvi
India International Lalu no Hindustan Times de hoje
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Orgulho hindu (Expresso)

Orgulho hindu
Nacionalismo: Jovens indianos de extrema-direita insurgem-se contra os divórcios, os hábitos alimentares importados do Ocidente, ou a vida nocturna das cidades, sinais de uma degeneração cultural. O Presidente Cavaco Silva foi um dos últimos alvos
"A Índia tem fama de ser fraca e obediente”, insurge-se Amit Singh, ao mesmo tempo que bebe um típico chá com leite, numa esplanada da Universidade Nehru, em Nova Deli. “Temos que descolonizar as nossas mentes e reafirmar a nossa superioridade cultural”, diz Ankita Battacharya, sentada ao seu lado.
Fundado em 1949 e actualmente com mais de um milhão de membros, o ABVP integra o Sangh Parivar, ‘a família das associações’ nacionalistas e extremistas de inspiração religiosa hindu de que faz parte o Partido Popular Indiano (BJP), que formou o Governo entre 1998 e 2004. Segundo Amit e Ankita, o ABVP procura consciencializar os jovens “para que não se envergonhem das suas raízes” num país que vive uma rápida ocidentalização dos seus costumes, desde o início das reformas económicas em 1991. O próprio chá que Amit bebe talvez seja das verdejantes plantações de Darjeeling, no estado do Assão, mas é produzido por uma multinacional suíça.
Da celebração do Dia de São Valentim e dos divórcios aos novos hábitos alimentares e à crescente vida nocturna na capital, é tudo visto como sendo sinal de uma “degeneração cultural”. Quase em coro, os dois insurgem-se: “Porque é que nos devemos envergonhar das nossas tradições?” Em vez disso, dizem querer “libertar os jovens de uma Síndroma de Estocolmo colonial e mostrar-lhes que a civilização indiana lhes oferece quase tudo”.
“Força é vida. Fraqueza é morte”
É por isso que o ABVP se considera uma organização “alerta” e se envolve muitas vezes em acções menos pacíficas. “O Hinduísmo é tolerante, mas quando nos provocam nós não perdoamos”, avisa Amit, referindo-se a casos em que dirigentes do ABVP recorreram à violência, principalmente “contra os comunistas que querem dividir o nosso país e contra os muçulmanos fanáticos e retrógrados”. A sua camisa, branca e cor de açafrão, ostenta uma imagem de Vivekananda, um célebre filósofo do século XIX, e a sua citação ‘Força é vida. Fraqueza é morte’.
Na montra de uma livraria, logo ao lado, vende-se o aqui muito lido ‘Mein Kampf’, de Adolf Hitler, por menos de cinco euros. “Está na hora de a Índia se afirmar como superpotência”, continua Amit, agora puxando pelos seus conhecimentos de política internacional e enumerando satélites, supercomputadores e taxas de crescimento para sustentar a sua afirmação. “Temos que ser mais agressivos na nossa política externa, porque o mundo deveria respeitar-nos mais”, lança, justificando assim também a capacidade nuclear que o país detém desde 1998. Ankita exclama logo «Akhand Bharat», o termo equivalente a Grande Índia, em hindi, sublinhando que “para mim, seria uma honra morrer pela Mãe Índia”.
A crescente popularidade do ABVP reflecte a enorme confiança que as novas gerações indianas estão a depositar no futuro do seu país. Segundo uma recente sondagem internacional, 96% dos jovens de Nova Deli sentem-se preparados para enfrentar o futuro, contra somente 45% em Nova Iorque e uma média mundial de 75%. Nos jornais e na televisão abundam os exemplos de jovens indianos cujo talento conquistou o mundo, como o da escritora Kiran Desai, da tenista Sania Mirza e de vários gestores empresariais na informática e nas ciências e tecnologias.
“Nós apoiamos a globalização e a vinda de multinacionais, desde que não eliminem os nossos valores”, refere Ankita, enumerando exemplos de amigas suas que vestem o tradicional sari nos call-centres internacionais e que, por isso, são olhadas de soslaio pelas colegas de calça de ganga. Amit lembra-se de um outro caso: “Num restaurante, é preciso falar em inglês para atrair a atenção dos empregados”. Repetem-se os exemplos, agora também de outros colegas que os rodeiam.
Constantino Xavier, correspondente em Nova Deli
NÚMEROS
1,3
milhões é a quantidade de militantes da “maior organização estudantil do mundo”, com mais de 4 mil núcleos
13
número de partidários “mártires”, vítimas do conflito com a guerrilha maoista no Centro do país até 1997
Inquisição e atropelo das liberdades
Na sequência dos protestos contra a atribuição de um doutoramento «honoris causa» da Universidade de Goa a Cavaco Silva, em Janeiro, Bharat Singh, dirigente nacional do ABVP, afirmou suspeitar que “alguns lusófilos se preparam para celebrar, em 2010, o quinto centenário da agressão portuguesa à Índia”, referindo-se à conquista de Goa, em 1510.
quinta-feira, 5 de abril de 2007
Paz sonora?
É o início do fim para a imensa poluição sonora rodoviária que flagela as cidades indianas. Por um lado, a paz é bem-vinda para uma melhor qualidade de vida. Por outro é, no entanto, o fim para toda uma cacofonia e orquestra rodoviária que tanto distinguem os espaços públicos indianos.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
Citações de Deli: Abha Dawesar
No DN de ontem:Eleições municipais
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Citações de Deli:
"The rise of the Bharatiya Janata Party in India and other religious and cultural fundamentalisms in the diaspora are unfortunate reminders that while we must work for and celebrate hybridity, we must also speak to the 'ethnic behaviour' that arises out of profound uncertainty and leads to a suspension of critical analysis."
Sandhya Shukla: "Building Diaspora and Nation: The 1991 Cultural Festival of India", Journal of Cultural Studies 11(2) 1997:296-315
World Toilet Summit 2007 em Nova Deli
"(The lavatories in Palam were literally covered with shit and the aerodrome officer could only speak of the shortage of staff i.e. sweepers). I wonder, wonder if the shitting habits of Indians are not the key to all their attitudes. I wonder if the country will not be spiritually and morally regenerated if people were only made to adopt the standards of other nations in this business of shitting; if only they could be made to see that they owe some responsibility to people—for this is what the Indian’s shitting habits explicitly deny. I am sorry to speak so much of shit, but my main emory of India is likely to be fear of shitting and shit—I cannot tell you what a luxury it is now to know that almost everywhere one goes one can be reasonably sure of clean bathrooms, and that this involves no degradation of anyone."
O World Toilet Summit realiza-se este ano em Nova Deli. É uma organização da World Toilet Organization: "A major world conference devoted to toilet provision and standards, the Summit sees delegates from all over the world attending conferences, experts’ forums, seminars, toilet exhibitions, network meetings and amazing toilet tours"
sábado, 31 de março de 2007
Só mesmo na Índia

É natural que, nós estrangeiros residindo na Índia, nos queixemos de tudo e mais alguma coisa. Afinal este é um país, uma cultura e uma civilização diferente. Obriga-nos a repensar muitas coisas e, muitas vezes, a baixar os braços em desistência para com a imensidão diferente que se abate sobre nós, todos os dias. Uma dessas coisas, de que eu aliás muito me queixo, é a burocracia. Queixamo-nos sempre de que tudo é complexo e lento na Índia.
Do outro lado da moeda está, no entanto, uma celeridade e rapidez com que nós em Portugal só podemos sonhar. Hoje, entre as 11:30 e as 16:00, incluindo um longo intervalo de almoço, comprei uma motoreta nova (em segunda mão) de um concessionário no Norte da cidade, mandei-a renovar numa garagem (motor, pintura etc.), e ainda vendi a minha anterior (a um mecânico). Tudo em locais diferentes. Em menos de cinco horas ficou tudo resolvido, toda a papelada (pouca) incluída.
Imagens de Deli: De volta a Goa

Serve este post de homenagem, devida e merecida, aos meus pais que conseguiram edificar uma casa em Goa, um sonho e uma aspiração antiga. A localização, para além de ambientalmente perfeita,à beira de um lago e envolto de várzeas, a cinco minutos da praia e no pacato coração de uma típica aldeia, é também simbólica: está a poucas centenas de metros da casa indo-portuguesa em que o meu pai nasceu, há 65 anos.Descendentes
Agora os goeses e as demais comunidades católicas lusófonas passaram a ser todas "descendentes de portugueses". Segundo o Norte Desportivo, Descendente português treina selecção da Índia (de hóquei em campo, entenda-se). Trata-se de Joaquim Carvalho, que é tão descendente de português como Atal Bihari Vajpayee. Carvalho não é, portanto, algum primo de trigésima geração do nosso ministro Pinho. É, pura e simplesmente, tal e qual quase todos os restantes goeses ou indianos católicos, um convertido que assumiu o nome de um qualquer seu padrinho jesuíta ou aristocrata português.sexta-feira, 30 de março de 2007
Redescobrindo: Hyderabad / Aiderabad
Acho que sim, tendo em conta as opções: Hiderabad, só para nos vermos livre do i grego, mas fica lá ainda o h inaceitável e a tentação de acentuar (erradamente) o i? Já vi por aí Haiderabad, mas continua o h. Formalmente, deveria ser Aiderabad, mas acho demasiado revolucionário. Seria, no entanto, interessante recorrer aos historiadores e descobrir como os nossos lendários cronistas e indólogos escreviam o nome da cidade. Aceitam-se sugestões.
(A mesma questão aplica-se aliás ao estado do Haryana. Hariana? Ariana? e idem para as restantes cidades e localidades que, em inglês, se iniciam de igual forma)
quinta-feira, 29 de março de 2007
quarta-feira, 28 de março de 2007
A condição diaspórica e a sua crítica
É lançada amanhã a volumosa e muito completa obra (mais de 600 pp) de homenagem (Festschrift) à obra do Professor Teotónio de Souza, catedrático e director do Departamento de História da Universidade Lusófona, em Lisboa. Uma obra merecida para quem tanto tem trabalhado, de forma não poucas vezes polémica, o nosso passado, de Goa a Lisboa. Como não tive tempo para enviar um artigo académico, fiquei-me por um ensaio, incluído entre os vários tributos pessoais que constam da primeira parte. Aqui vão uns excertos.Referência:
METAHISTÓRIA
Autor: Vários (org. Charles J. Borges, S. J. & Michael N. Pearson)
Nova Vega, Lisboa, 2007
Colecção: Documenta Historica/Série Especial
A CONDIÇÃO DIASPÓRICA E A SUA CRÍTICA (pp. 79-82)
Não é habitual um investigador júnior intrometer-se numa homenagem a um reputado académico sénior. À partida, reconheço, portanto, as minhas joviais limitações, agravadas pelo facto de eu me situar numa área disciplinar diferente da da História, que tanto tem merecido a atenção do Professor Teotónio de Souza. Mas é, talvez, justamente esta condição jovem que me faz merecer esta oportunidade, aliada ao facto de ambos partilharmos uma condição diaspórica goesa. O Professor uma de primeira geração e eu uma de segunda. É sobre esta condição diaspórica, e sobre a urgência da sua permanente crítica, que eu pretendo reflectir neste espaço.
(...)
A importância do trabalho e da carreira do Professor reside no facto de ele nos lembrar que a segunda face, a mais negra, nos acompanha constantemente. E fá-lo por via da crítica. Questionando a celebração, obriga-nos a voltar a pôr os pés em terra e a enfrentar a realidade, por mais que isso nos custe. Recorda-nos que a condição diaspórica que glorificamos é, em larga medida, fruto da nossa imaginação e o espelho dos nossos medos e das nossas ânsias identitárias. E urge-nos a interrogarmo-nos sobre as reais vantagens e desvantagens, bem como as oportunidades e os obstáculos, que rodeiam esta nossa condição.
É justamente aqui que se encontra a explicação pela hostilidade com que alguns sectores da nossa comunidade goesa, mas também da sociedade portuguesa em geral, têm recebido a valiosa obra e as reflexões do Professor. É natural – mas infeliz – que hostilizemos a voz dissidente e crítica, que nos obriga a repensar e a interrogar aquilo que sempre demos por adquirido. Mas, por mais que se tente, é impossível silenciar essa voz que o Professor adoptou para si. Porque essa voz, cheia de interrogações, reside naturalmente e intrinsecamente em toda e qualquer condição diaspórica. O Professor tem-se limitado a activá-la e resgatá-la da passividade a que a procuramos condenar no seio da nossa intimidade – pessoal, associativa ou comunitária. (...)
Derrota e críquete
Já se passou há uns dias, mas não pode deixar de ser observado: a Índia foi eliminada do Mundial de críquete, a realizar-se na Jamaica. Perdeu, logo na primeira fase, contra os seus pequeninos e muito mal-amados vizinhos Bangladexe e Sri Lanka. A vitória contra os amadores das Bermudas não evitou o escândalo nacional e provocou dois suicídios. Paixão e a honra nacional obligées.O quintal regional (Atlântico)
"Para o ministro Pranab Mukherjee, a criação de “um novo paradigma para a vizinhança” é o principal objectivo da política externa indiana, sublinhando ele que “a emergência da Índia como grande potência depende da força, do crescimento e da prosperidade da região”. Embora a orientação não seja nova (lembre-se a doutrina Gujral, nos anos 90), são afirmações que rompem com várias décadas em que o objectivo era diametralmente oposto: os diplomatas indianos procuravam então ignorar o contexto regional e saltar directamente para as luzes da ribalta global. (…) A mensagem é clara. Antes de aspirar a voos mais altos, a Índia quer colocar a sua própria vizinhança em ordem e sob sua alçada."
terça-feira, 27 de março de 2007
Imagens de Deli: Kanyakumari

Nacionalistas hindus e o Presidente
sábado, 24 de março de 2007
Citações de Deli: Chetan Bhatt e Parita Mukta
in "Hindutva in the West: mapping the antinomies of diaspora nationalism", Ethnic and Racial Studies Volume 23 Number 3 May 2000 pp. 407–441
Citações de Deli: Sujata Moorti
"The new Indian woman becomes the crucible where the desires and anxieties pertaining to the diaspora are worked through. She is the symbolic and embodied subject who is a repository of an interior, purer and more valuable tradition, and stands opposed to the moral compromises and degradation of the West."in "Uses of the Diaspora - Indian popular culture and the NRI dilemma", South Asian Popular Culture Vol. 3, No. 1, April 2005, pp. 49–62
sexta-feira, 23 de março de 2007
Uma travessa indiana
A Índia no Século XXI, um livro de Pavan Varma, numa genial recensão de Antunes Ferreira, no seu célebre cantinho blogosférico e muito recomendável Travessa do Ferreira.India literária, orientalismo
A paisagem literária da Índia é tão complexa e paradoxal quanto o seu mapa, reflexo de 28 regiões políticas, 22 línguas, um país multirreligioso, a maior democracia do mundo, com uma diáspora intelectual que levou para fora das suas fronteiras alguns dos nomes mais sonantes
Comentário: Interessante a urgência com que "a Índia" é personalizada e feminizada ao longo de todo o artigo. Não quero aqui lançar uma ofensiva à Isabel Lucas, que não o merece aliás, por esta peça bem conseguida, mas alertar para a persistência da superficialidade orientalista com que ainda abordamos a Índia.Para além do tradicional "É a Índia dos contrastes", há uma contradição grave. Por um lado, afirma-se que é um país "em que quase só as elites lêem", para depois se constatar que "apesar de apenas 5% da população indiana falar a língua de Shakespeare e de a maioria dos livros indianos serem em línguas vernáculas".
Claro que há elites vernáculas, mas a elite a que a autora se refere são, muito provavelmente, as elites anglófonas. E estas estão longe de serem as únicas a lerem no país, bem pelo contrário: as mais ricas tradições literárias indianas, começando pela poesia bakhti, mas também o rico panorama de romances em hindi e línguas regionais, são consumidas pelas classes médias e baixas.
"São esses, os das línguas locais, em franca maioria na Índia, que só agora começam a ser traduzidos fora dela. Segundo a organização, esses autores irão testemunhar um "frenesim de modernidade" que contrasta e tenta atenuar as enormes desigualdades sociais do país."
Aqui o meu alvo é a própria organização e autores desta citação, suspeito eu indianos, que equiparam o misterioso "frenesim da modernidade" a uma suposta emancipação socio-económica. Se fosse só modernidade, talvez até me debruçasse criticamente sobre o assunto. Agora, "frenesim"... deixa antever o que vai na elitista mente orientalista indiana.
Deixemos, então, o Orientalismo e o espírito descobridor Quinhentista acabar em grande:
"Também por isso se fala de uma Índia por descobrir, um país que se vai afirmando além da espiritualidade ancestral conjugada com traços cada vez mais contemporâneos de uma economia em plena expansão".
quinta-feira, 22 de março de 2007
Supergoa.com
Turismo de habitação com apoio português
Museu do Oriente abre daqui a um ano
Consultores europeus adoptam Índia
E o sempre agitado Fórum, bem como a actual Agenda.
A vida em Pequim
Da colega correspondente, do outro lado dos Himalaias, um sempre actual blogue sobre o gémeo emergente. A China em Reportagem, de Maria João Belchior, a ler e seguir com atenção.
A moeda de 2 Rupias

V SUNDARAM
“Mais vale pagar um aborto que um dote” (Expresso)
Índia - Desequilíbrio
No país de Gandhi há mais homens que mulheres, porque os pais não querem ter filhas
“Mais vale pagar um aborto que um dote”
Foto
A actriz Karishma Kapoor no dia do casamento. A boa tradição hindu obriga a família da noiva a pagar um valioso dote ao marido SEBASTIAN D´SOUSA/AFP
Não fossem os painéis a anunciar ecografias por menos de 500 rupias (10 euros) e esta rua do sul de Deli - a capital indiana - seria igual a todas as outras do país: barulhenta, movimentada e com vacas a remexer no lixo. É em sítios como este que existem inúmeras clínicas e ginecologistas, onde desaparecem anualmente várias centenas de milhares de crianças do sexo feminino. Para ser mais específico, de fetos do sexo feminino.
É o retrato do lado mais obscuro da classe média indiana. Muitas mães são obrigadas a abortar as filhas que têm no ventre, pressionadas pela tradição social que quase as obriga a preferirem assegurar uma linha de descendência masculina.
É numa dessas clínicas que trabalha a ginecologista Neena Singh (nome fictício). “Quando elas começam a queixar-se de que já têm uma ou duas filhas, eu percebo logo o que querem e corro-as daqui”, diz, adiantando que, na Índia, o aborto é legal até às 20 semanas. Só que a dr.ª Singh diz respeitar a lei de 1994, que proíbe os médicos de comunicarem o sexo do feto à grávida. “Logo depois do parto, ao verem que tiveram uma filha, é frequente as mães chorarem ou entrarem em choque, ameaçando cometer suicídio”, confidencia.
Ao lado da clínica de Bhagat encontrámos uma jovem grávida de 15 semanas que aguarda o resultado de uma ecografia: “Se for mais uma filha, expulsam-me de casa”, diz sob anonimato. A conversa é prontamente interrompida por uma mulher, talvez a mãe ou a sogra.
O drama do feticídio feminino tem números. Segundo o censo de 2001, por cada mil nascimentos masculinos, nascem, em média, 927 crianças do sexo feminino, um dos rácios mais baixos do mundo. Recordando o ditado “educar uma filha é igual a regar o jardim do vizinho”, a médica Sharda Jain, da Comissão Nacional para as Mulheres, lembra que “as filhas são vistas como um peso financeiro e um estigma social”.
A pressão começa na cerimónia do casamento, quando os sacerdotes pedem que a noiva seja “abençoada com oito filhos”, e repete-se nas cerimónias pós-concepção, em que os religiosos procuram converter um feto feminino num masculino.
A preferência pelos rapazes explica-se pela tradição do dote matrimonial, em que os pais são obrigados a desembolsar quantias em dinheiro e bens (no valor de centenas ou até dezenas de milhares de euros) para encontrarem um noivo para as suas filhas.
Há registo de cartazes, em Bombaim, anunciando que “mais vale pagar 500 rupias agora (por uma ecografia) do que 50 mil (de dote) daqui a uns anos”. Outra razão é o facto de, à luz da lei hindu, só um filho homem poder herdar os bens familiares e realizar os ritos funerários do pai.
O que ainda há dez anos era negligenciado, assume hoje contornos dramáticos. O sexo do feto só pode ser determinado com alguma segurança a partir da 12ª semana de gravidez, altura em que o risco de morte para a mãe é sete a dez vezes superior que num aborto realizado no primeiro trimestre. “Elas vão abortando até terem um rapaz”, explica Bhagat, sublinhando os custos para a saúde pública.
Em termos sociais, o impacto também se faz sentir. Nas zonas rurais mais pobres, em que a prática do aborto é reduzida por dificuldades financeiras, as filhas são vendidas por famílias endividadas que querem escapar ao dote.
As jovens são depois revendidas, por redes criminosas, em distritos onde há menos de 800 raparigas por cada mil rapazes e a procura de mulheres em idade de casamento é grande.
Constantino Xavier, correspondente em Nova Deli
- Vinte milhões é o número de abortos de fetos femininos praticados na Índia nos últimos 20 anos. Dados da revista médica ‘The Lancet’
- No estado do Punjab, no distrito de Fatehgarh Sahib, existem menos de 750 raparigas por cada mil rapazes
- O preço de uma esposa varia entre os 100 e os 600 euros, consoante a casta a que esta pertence, grau de educação e características físicas
Má sorte nascer mulher
Nos anos 70 o Governo indiano encorajou o aborto e as esterilizações para controlar o crescimento demográfico. Hoje, o panorama é o oposto. Em 2006 registou-se a primeira condenação de uma médica por executar abortos selectivos.
Renuka Chowdhury, ministra para o Desenvolvimento da Mulher e da Criança, disse recentemente: “É uma vergonha o nosso país crescer a nove por cento, mas continuar a matar as suas filhas”. Por isso, anunciou a abertura de orfanatos públicos para as filhas indesejadas. “Se não as quiserem, pelo menos deixem-nas nascer e entreguem-nas ao Estado”, apelou, esperando desta forma vir a minorar o desequilibrado rácio entre os géneros.
Para Sharda Jain as medidas são bem-vindas, embora os mecanismos para violar a lei sejam imensos. Nota, por exemplo, que a cor com que o médico preenche o relatório, ou o dia da semana em que este é entregue, serve para comunicar o sexo do feto à grávida.
Jain defende a necessidade de, além da fiscalização, consciencializar os médicos para o que chama de ‘doença social’ e de valorizar o papel da mulher na sociedade. “Um exemplo vale por mil panfletos”, afirma, recordando que o próprio primeiro-ministro Manmohan Singh tem três filhas e nenhum filho.
terça-feira, 20 de março de 2007
Paradise, in contract
segunda-feira, 19 de março de 2007
Redescobrindo: Jamu, Caxemira e Ladaque
Europa em vias de extinção?
"Mas os grandes desafios da História que decidem o futuro estão a ser enfrentados, com grandes dificuldades, pela China, Índia, Islão, EUA, África, América Latina. Entretanto a Europa perde relevância e entra em vias de extinção. Porque, achando-se inovadora e progressiva, gasta o seu tempo a promover aborto, homossexualidade, eutanásia, pedofilia, divórcio. Perante isto, a História ri (ou chora?), encolhe os ombros e passa ao lado." Chegou o calor
quinta-feira, 15 de março de 2007
Diáspora feminina indiana
quarta-feira, 14 de março de 2007
Jashn-e-Azadi
Ontem, no Habitat Centre, tive o prazer de assistir à primeira exibição pública do novo e polémico documentário de Sanjay Kak, Jashn-e-Azadi. É sobre o movimento Azadi e os sentimentos separatistas entre os caxemires, com excelente material recolhido ao longo de três anos no valley. Entre a ilustre audiência, o sempre carismático Yasin Malik, da Jammu and Kashmir Liberation Front, e Arundathi Roy, a agora polémica escritora e activista. No final, grande tensão, com violentos protestos verbais de caxemires pânditas hindus, exilados em campos de refugiados em Jamu, desde o início da violência, em 1989.
Biblioteca (3)
Há estudantes que colocam isto no campo de pesquisa geral, à procura de informação sobre um tópico que lhes foi dado a investigar pelo professor: "European integration policy in the 50s and its impact on french civil society". É óbvio que lhes aparecem 0 resultados. Mas aqui insiste-se. A estudante coloca então: "European integration policy in the 40s and its impact on french civil society".
Biblioteca (2)
Esse é o mito, pelo menos. Na realidade, o Sir Malik só é útil porque o catálogo é péssimo e está cheio de erros. Na realidade, o Sir Malik não deve conhecer a localização exacta de mais de 90% dos títulos da biblioteca. Mas a adoração de que Malik é alvo representa o crónico desconforto com que os indianos abordam as certezas da modernidade, isto é, os catálogos.
Biblioteca (1)
Ontem, no entanto, enquanto que eu passava por esse processo e requeria um livro, reparei numa das estantes num outro livro de que eu precisava e que eu procurava há muito tempo. Indiquei-lhe que gostava de requerer aquele livro também. Como o funcionário não fala inglês bem, era escusado eu indicar o título. Apontei então com o dedo, referindo que era the green one, a menos de dois metros dele.
A secção estava deserta e o funcionário não tinha mais nada que fazer, do que ler o jornal do dia. Mesmo assim, sentou-se e recusou-se a dar-me o livro, comunicando que eu precisava de ter o código. "Mas é esse o livro que eu quero, tenho a certeza", referi, timidamente. Nada feito. Para ele o procedimento (inventado por ele mesmo) é sagrado: ver no catálogo e indicar-lhe o código. Outra coisa era inovadora, logo impossível.
terça-feira, 13 de março de 2007
O Orientalismo está vivo!
"Era preciso resolver esta contradição. No mundo ocidental as pessoas são extremamente activas, mas queixam-se de stress. Perdem a paz de espírito. Se formos ao Oriente, a lugares como a Índia, encontramos paz, mas na inacção. Numa parte do mundo há acção e não há paz, na outra há paz mas não há acção."
Ramachandran Bhaskar, mestre da Vedanta Academy que ensina "filosofia oriental" a gestores europeus e norte-americanos, no Público de ontem.
Imagens de Deli: Templo em Trivandrum
Sofisticação
Queixavam-se eles constantemente de que era tudo muito rudimentar e que não era tão sofisticado como as instalações dos seus respectivos institutos em Bangalore, Bombaim ou Deli. Ao princípio ainda pensei que estivessem a brincar. Mas não, aquilo não era mesmo suficientemente sofisticado para eles, jovens indianos de uma vintena de anos, preocupados com um bichinho no quarto e com um macaco saltitando entre as bananeiras lá fora.
segunda-feira, 12 de março de 2007
"Adoro" estes e-mails
Exmo senhor,
Preciso de fazer um trabalho sobre a influencia da cultura portuguesa em goa. Será que me pode dar pistas para eu poder desenvover melhor o meu trabalho.
Atenciosamente
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Zelo ferroviário
Zelo bibliotecário
domingo, 11 de março de 2007
quinta-feira, 8 de março de 2007
O bibliotecário-chefe
Tenho observado um fenómeno interessante: quanto mais alto/importante fôr o funcionário, ou mais ilustre o académico, mais barulho faz. O bibliotecário-chefe é o pior: fazendo-se acompanhar pela sua côrte privada, conversa sempre a alto e bom som, soltando ruidosas gargalhadas.
Isto leva-me a deduzir a seguinte afirmação: aqui, nesta biblioteca da JNU (e ao que me parece, na restante Índia também) a autoridade é simbolicamente conquistada por via do desrespeito (e não respeito) pelas leis democráticas e de civismo. O bibliotecário-chefe demonstra a sua superioridade justamente por via do desrespeito pela lei geral. Logo, só os fracos e os comuns devem respeitar a lei.
Como nunca ninguém protesta, ainda por cima entre estudantes tão politicamente activos como estes na JNU, presumo também o seguinte: o bibliotecário-chefe tem o direito de falar e rir, e assim perturbar o estudo de uma centena de estudantes. Se ele passasse mudo e silencioso, não seria reconhecido como bibliotecário-chefe.
Corte de cabelo Deli/Paris
O gato preto
Uma advogada, senhora-rebelde e anti-poder, defensora da causa de Geelani e Afzal, dois dos caxemires acusados de envolvimento no ataque terrorista ao Parlamento indiano, em 2001. Filha de um dos burocratas mais poderosos das últimas décadas, ela pega em causas em quem ninguém mais quer pegar, que todos receiam. E isso significa vir falar em espaços como a JNU.
Um professor comunista e um outro advogado no Supremo Tribunal completam a tribuna oratória. Está frio e escuro. Numa mesa ao lado dos oradores ainda estão amontoados dezenas de tabuleiros sujos, com restos do jantar. Um gato preto entra e serve-se. Ninguém repara. O debate continua, até depois da meia-noite, aquecido por pequenas chávenas de chá.

























