terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Fragmentos da leitura
Both Surinam and Demerara are dull places to visit. I saw one hill in two months; and it was forty miles away.
Fragmentos da leitura
Nomes, profissões, histórias
Rajesh Pilot, Sachin Pilot
(pai e filho, deputados do partido do Congresso)
Ronnie Screwalla
(magnata de Bollywood e televisão)
Buswalla
(meu colega)
Allibhai Premji Tyrewalla
(empresário, indústria automóvel)
Manager Pandey
(professor na minha universidade)
Vikram Doctor
(jornalista)
Ashgar Ali Engineer
(académico)
e ainda este, igualmente interessante:
Arvinder Singh Lovely
(ministro da educação de Nova Deli)
Just what is‘eve teasing’?
Blank Noise Project ran an online poll asking respondents what specific acts they thought constituted sexual harassment. Here are some of the results:
Staring 66%
Whistling 79%
Staring at breasts 81%
Talking to breasts 80%
Rating 50%
Passing lewd comments 82%
Singing suggestive songs 66%
Rubbing 86%
Groping 81%
'Accidentally' touching 76%
Flashing 75%
Blowing kisses 81%
Making kissing sounds 82%
Stalking 73%
Fingering 78%
Masturbating in open view 74%
Adjusting rearview mirror 50%
Unsolicited conversation 55%
Unsolicited photography 77%
Spitting 49%
Winking 75%
Crashing vehicles 70%
Honking to get attention 70%
Following a woman driver 76%
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
One of ours

Filho de um antigo greenkeeper do Royal Calcutá Golf Club, Shiv Shankar Prav[s]ad Chowrasia serviu anos como caddie e fazia incursões nocturnas ao campo de jogo, enquanto miúdo, para bater bolas. Por vezes era apanhado. Entretanto tornou-se profissional de golfe, comprou uma casa lá próxima e tornou-se membro ilustre do clube. Ontem, com 29 anos, venceu o I Masters da Índia, em Nova Deli, alcançando o estatuto de novo herói desportivo indiano. ...
Jornal Público de hoje, p. 36
Porquê, pergunto-me. Porquê sempre assim, ali num quarto de página, uma coluna do topo ao fundo da página, do lado esquerdo, suficientemente pequeno para não ser notícia que nos faça pensar e confrontar a diferença, contudo igualmente suficientemente grande para depois se poder invocar que até se deu um tempinho de antena a uma agenda diferente, à Índia exótica? Porquê este fait-divers, até num jornal como o Público (que, por acaso, publica na mesma edição de hoje, um editorial sobre do normalmente excelente José Manuel Fernandes que me desiludiu, porque diz um pouco de tudo e nada de novo sobre a Índia tal como ela é vista predominantemente).
Simplesmente, porque é este o único paradigma, o único filtro, com que o Ocidente, e especialmente ainda Portugal, consegue abordar a mudança a Oriente. Ao contrário do que, por exemplo, se escreve muitas vezes por aí (a Europa ignora e não quer saber o que se passa por estes lados), o problema é bastante diferente: a Europa sabe muito bem o que se passa por aqui. O problemático é a forma com que aborda o que se passa por estes lados; tristemente confrangedora, básica, primária - infantil.
Sim, isso mesmo: pequenas histórias, contos e lendas que evocam em nós as fantasias com que adormecíamos descansados com o mundo e os outros à nossa volta, aquelas gatas borralheiras, aqueles pequenos patinhos negros, os camponeses de turbante na cabeça e telemóvel xpto na mão, ou seja, aqueles Outros outrora escravos, agora libertados e príncipes, porque reconhecidos. Reconhecidos tal como nós os queremos reconhecer, nos nossos termos e nas nossas condições. Parabéns, Shiv Shankar, you are one of ours.
Vidas indianas: A vida numa Goa
Vidas amigas: Sidh (Jaipuriano)
Vidas asiáticas: Postas do Oriente

Uma excelente iniciativa aqui a Oriente, da autoria do Rui, junta todos os blogues lusófonos pela Ásia: Postas do Oriente. A vida em Deli agradece o convite e orgulha-se em poder fazer parte deste original blog ring. Passa a integrar as vidas amigas.
Papéis de Deli: Cartão de estudante
No verso do cartão de estudante, os autocolantes cobertos de assinaturas e rabiscos representam o número total de semestres contabilizados na Universidade (neste caso, quatro). É um pouco como aquelas coloridas medalhas e condecorações no peito dos militares de alta patente. Quanto mais são, mais senior e mais respeitado se é nos serviços administrativos.
Sea Change (Economic Times)
Portugal attracting skilled Indian immigrants
7 Feb, 2008, 1820 hrs IST,Ishani Duttagupta, TNN
An interesting statistic about Indian immigrants in Europe is that Portugal has among the largest numbers of people of Indian origin. According to the report of the high level committee on the Indian diaspora, Portugal has about 70,000 PIOs and NRIs. “Indian immigration to Portugal has happened in different waves from the 16th Century onwards. The first wave was the Portuguese ships which carried craftsmen, tailors and others with specialised skills from India to Portugal. They have had a distinct influence on the architecture and culture of our country. The second wave was of Goan intellectuals who went to Portugal to study and then settled down and the third and most significant wave was in 1961, when the people of Goa were given the choice of opting for Portuguese citizenship.
That was when a large number of Goans in administrative services and military officers immigrated,” says Constantino Hermanns Xavier, a researcher and expert on the Indian diaspora in Portugal. He adds that a large number of Gujaratis and Maharashtrians joined the Indian immigrants in Portugal from former European colonies such as Mozambique, Macau, Angola and Kenya, when they got their independence. Continuação
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Mini-vidas indianas: Postais da Índia (Geração de 60)

Postais da Índia - IV
"Aires Sebastião Araújo é taxista em Goa. Tem dois filhos de nomes portuguesíssimos e em vez do incontornável Ganesh de outras paragens tem um crucifixo pendurado no espelho retrovisor. Com uma indisfarçável felicidade passa-me para a mão uma carta do Consulado de Portugal em Goa que atesta que está a prestes a acabar o longo calvário que há-de valer-lhe o tão desejado passaporte português. Mas Aires Sebastião não fala uma palavra da língua de Camões. Nem tão pouco sabe pronunciar o seu próprio nome. Duvido que saiba onde fica Lisboa. Ingénuo, confesso que a pergunta me pareceu naturalíssima: «então para que quer ir para Portugal?». A resposta dificilmente podia ter sido mais eloquente: «Portugal? Quero o passaporte para ir viver para Londres». Seria de esperar outra coisa de um país que votou os seus ao mais completo abandono e esquecimento?"
"...Mas Mahomed não se queixa. Tal como outros 380 milhões de indianos, votou nas últimas eleições legislativas. Pôde escolher livremente entre 5.398 candidatos de 220 partidos políticos diferentes. E a escolha até foi surpreendentemente informada. A leitura de imprensa é um hábito de rua e a Índia pode justamente orgulhar-se de publicar alguns dos grandes jornais do Mundo. Economicamente a sua vida mudou muito desde que, ainda rapaz, deixou a sua Calcutá natal. Não ignora que é já um dos membros de pleno direito de uma classe média indiana que, segundo rezam as crónicas, há-de contar com 500 milhões de representantes lá para 2025. Queixas para quê? O sorriso fácil e afável diz tudo. Mahomed acredita no futuro."
Mini-vidas indianas: A bem da nação
Nacionalismo indiano
"Mas se a Índia tem problemas – e quem os não tem? – reconheçamos que eles são livremente discutidos e essa é uma virtude fundamental: os indianos podem concordar ou não com as políticas em vigor, discutem essas políticas dentro e fora dos Parlamentos, nos meios de comunicação, nas ruas mas as políticas são conhecidas, têm uma lógica própria e os poderes constituídos têm toda a legitimidade democrática para acertarem e para errarem. O sistema é globalmente transparente. Do mesmo não se podem vangloriar os chineses que são nomeados voluntários para o trabalho e não podem discutir os objectivos que o Partido único define no seio de uma gerontocracia de legitimidade revolucionária e, portanto, opaca. Por isso acredito na Índia como potência do futuro a curto prazo e da China espero um estoiro a qualquer momento."
Índia - 1
"A Índia não será uma verdadeira potência mundial enquanto não tiver mais cuidado com a qualidade de vida dos seus cidadãos. Impõe-se um nível mínimo de cuidados na higiene pública, o lançamento de redes de saneamento básico, a criação de hábitos de higiene pessoal na classe política. Enquanto os políticos não tiverem hábitos de higiene pessoal não será possível convencê-los a seguirem políticas de higiene pública. Não há democracia quando tantos milhões de indianos resvalam no esterco e chafurdam em busca de sobrevivência."
Papéis de Deli: Reader's tickets
I wanna gum
O miúdo nem contar até três deve saber ainda e provavelmente faz chichi na cama todas as noites (depois de ver os X-files em hindi, com o pai), mas sabe exactamente o que quer, na mercearia aqui da esquina, em frente ao jardim infantil novo, pintado a mil e uma cores, mas com as esquinas já mijadas.
- Tik hai, ok ok. Tik hai!
E a pura e maternal mão direita lá penetra as profundezas da sua mala, para emergir de novo com uma nota de quinhentas rupias, enquanto que, com a impura esquerda, segura o Motorola e fala com a amiga, a combinar a ida ao gym. Uncle, um pouco chateado (tal como eu, porque estou há minutos à espera de ser atendido), faz um esforço e sorri.
- Sorry, I have no change. Gum is actually only 2 Rupees.
E o puto.
- I wanna gum, I wanna, gum, I wanna gum, gum, gum.
E ela.
- Preity, I'm sick of the sauna, why don't we try the stepper today, that's where the cute guys hang out anyway.
E o uncle a olhar para ela e para a nota de quinhentas rupias e agora já não sou só eu a esperar.
- Ok ji, what, wait. Here, take.
E o cartão de crédito reluzente, douradinho, mas tão inútil, tão patético, ofensivo mesmo. Uncle agora nem diz nada. Já nem olha.
E o fedelho.
- I wanna gum, I wanna, gum, I wanna gum, gum, gum.
E já me começam a empurrar, uncle, uncle, yeh dedoh, voh karo. A lojinha vai abaixo a qualquer momento.
- Ok, whatever, how much for the whole pack? All the gums, give me.
A embalagem deve ter pelo menos cem pastilhas. A duas Rupias cada, são 200 Rupias.
- Sorry maam, I cannot give you all, other children want also, you know. Sorry.
- I wanna gum, I wanna, gum, I wanna gum, gum, gum.
O Motorola cai-lhe da mão.
- Shit.
Levanta-o, deixa a nota de quinhentas no balcão, pega na embalagem inteira de pastilhas e sai dali para fora, e o merdas a correr atrás dela, aos trambolhões.
- I wanna gum, I wanna, gum, I wanna gum, gum, gum.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Swagataam (Atlântico)

Revista Atlântico, (excelente) número de Fevereiro, já nas bancas!
Excerto:
Correspondentes de Guerra: Passagem para a Índia
Constantino Xavier em Nova Deli
SWAGATAAM
"Bem-vindo? Nem sempre é essa a mensagem com que a Índia acolhe os turistas. Todos os que já visitaram o país sabem que este não é um destino convencional para umas férias descansadas. É logo no planeamento da viagem que se apresentam as primeiras dificuldades. Os hotéis não respondem aos e-mails, as reservas foram pagas mas não se encontram confirmadas e um agente promete um circuito maravilhoso, mas o pacote inclui hotéis “very very good” que não existem nem no Google. Cerca de duas horas depois de o avião aterrar em solo indiano, encontrada a bagagem e ultrapassadas a imigração e a alfândega, dá-se então a recepção gloriosa: centenas de gatunos, todos estrategicamente posicionados para sacarem o máximo, o mais rapidamente possível: taxistas, agentes, guias e bagageiros, entre outros especialistas."
Papeis de Deli: Library Gate Pass
Na biblioteca da JNU, tal como em quase todas as outras do país, reina a lei da selva no que toca o respeito pelos direitos de autor e do editor. Fotocopia-se tudinho, da primeira à última página.
Apresentam-se ainda várias soluções sofisticadas para a versão fotocopiada ficar o mais parecida possível com o livro original (corte de páginas, encadernação, capa dura e a cores etc.). Aliás, quando os exemplares originais se encontram em estado de degradação avançado, são os próprios responsáveis da biblioteca que recorrem a este sistema, para manterem o livro nas estantes e acessível para os estudantes que desejam consultar (em vez de adquirirem uma nova cópia).
Este papelinho é um Gate Pass, provando (com data, valor em Rupias e assinatura em forma de cruz) que as fotocópias tiradas não são propriedade da biblioteca, mas tiradas a pedido e pagas pelo estudante, permitindo-lhe portanto passar com elas pelo segurança que controla a saída.
A Índia e a Iniciativa Quadrilateral (Janus)

No anuário JANUS 2008, do Observatório de Relações Exteriores da Universidade Autónoma e já em circulação (à venda com o jornal Público), um breve ensaio meu nas pgs. 26-27, integrando a parte "Aspectos da Conjuntura Internacional".
Resumo:
A entrada da Índia para a Iniciativa Quadrilateral com os EUA, a Austrália e o Japão, suscitou a apreensão da China e a possibilidade de uma Ásia dividida em dois eixos distintos. No entanto, a participação indiana integra-se num omni-alinhamento estratégico mais amplo que visa catapultar o país para o pelotão das grandes potências a que caberá procurar soluções multilaterais para a mutação em curso do complexo de segurança asiático.
Acordar ontem
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Aldrabando: Tanques de água
Regra geral, os terraços são partilhados por todos os inquilinos do respectivo prédio, justamente para poderem colocar os tanques de água, estenderem a roupa, dormirem ao sol, etc. O nosso vizinho de cima, no entanto, deu a volta à lei e ocupou o espaço com um novo apartamento (um andar extra) que aluga. Assim, o acesso aos tanques (que passaram para o novo topo, um piso mais alto) passou a depender da sua autorização prévia, porque o acesso faz-se por via deste novo fogo - ilegal.
O canalizador regressa à tarde e diz-nos que não o deixam ir lá acima para instalar o nosso segundo tanque. O vizinho vem-nos depois comunicar: as autoridades só permitem um tanque de 250 litros por apartamento, e vocês já têm um de 500 litros. Nem pensem em colocar um segundo, porque isso seria um tremendo risco de segurança para mim.
Quando estive lá em cima, há uns meses, a inspeccionar o nosso mini-tanque em reparação, lembro-me de ver lá o mega-tanque deles, do tamanho de uma piscina e com uma capacidade de mais de 3000 litros.
Papéis de Deli
sábado, 2 de fevereiro de 2008
A vala e o pedregulho
O desnível foi piorando até praticamente obrigar os condutores a pararem - se não o fizessem, não só danificariam a suspensão das suas viaturas, como provavelmente perderiam uma das rodas. A vala lá ia ganhando em profundidade, embarcando numa autêntica viagem ao centro da terra. E todos os dias, repetiam-se os acidentes e alinhavam-se os carros avariados - certamente os condutores novatos que passavam pela primeira vez por aquela avenida, ou algum mais distraído.
Confrontado e transtornado com a inacção das autoridades públicas, algum morador da redondeza ou algum condutor acidentado, passou à acção. Na ausência de qualquer sinalização de aviso, improvisou e colocou, no meio de uma das duas vias e em cima da vala, um enorme pedregulho. Deste modo, os condutores desprevenidos seriam avisados do perigo à distância.
Mas não é o pedregulho no meio da avenida um enorme perigo, exclamei em interrogação, enquanto que desviava, à tangente, a minha motinha daquele colosso. Pensei e lembrei-me que o responsável pela sua colocação, responder-me-ia da seguinte forma, indo-lógica: "Oiça lá seu estrangeiro armado em indiano, não me venha dar lições técnicas. Sem o pedregulho os condutores lixavam a suspensão e uma ou outra roda, enquanto que assim , no pior dos casos, é só chapa."
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Bhajji not racist

Três palavras que hoje bombardeiam as capas dos diários e, ainda ontem, abriram eufóricas os serviços noticiosos na televisão. Bhajji not racist. A saga "racista" da selecção nacional de críquete indiana e o jogo com a Austrália, há uns quinze dias, termina assim como era previsível.
Tudo rodou à volta de uma acusação de racismo que Symonds, um jogador australiano de origem aborígene (foto em cima), dirigiu ao jogador indiano Harbhajan. Symonds já anteriormente tinha sido vítima de racismo indiano, especialmente por parte do público cá da terra, que gosta de urrar e pular, tal e qual símios, sempre que é ele o batsman ou bowler (comportamento familiar no mundo do futebol europeu). Desta vez, segundo a acusação australiana, Harbhajan chamou Symonds de "big monkey" ou algo parecido, durante o jogo.

O mais interessante nesta história toda é a forma como a Índia inteira reagiu à acusação. Nós, indianos, racistas? Impossible, simply ridiculous. Condenação generalizada. Os australianos não sabem perder, pensa-se e diz-se também (acabaram por perder o jogo, os indianos quebrando assim uma sua série vitoriosa inédita). A federação indiana de críquete, a poderosa BCCI, ajudou a colocar achas na fogueira: se Harbhajan fôr condenado, a equipa abandona imediatamente o torneio, como medida de retaliação, avisou.
Ontem, dia de decisão oficial da ICC, a congénere da FIFA, aconteceu portanto o óbvio: Harbhajan foi condenado por uma violação de gravidade 2 (abuso geral menor), e não 3 (ofensa racista grave), atraindo assim uma pena mínima. O país recebeu a notícia com imenso alívio: Bhajji not racist. Logo, we not racist.
Pior, o Times of India de hoje leva o fervor nacionalista, racista e xenófobo indiano até aos limites, confirmando todas as suspeitas com que analisei este episódio nestas últimas semanas. Anuncia, como título de abertura, em letras garrafais: "Monkey off Bhajji's back".
Eu e Gandhi no RCP
Estive há pouco, em directo, no Rádio Clube Português (programa Janela Aberta) para, em conjunto com o Prof. Narana Coissoró, discutir o Mahatma Gandhi e o 60º aniversário do seu martírio, que se celebrou hoje.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Papéis de Deli: Postal eleitoral
Há um número substancial de estudantes que vivem fora das residências (conhecidos como day scholars), espalhados pela cidade (o meu caso). Impedidos de enviarem cartas impressas, os apoiantes desta lista candidata (SFI-AISF) decidiram escrever o seu programa eleitoral à mão em centenas de postais, que depois enviaram pelo correio:
Desestabilizadores
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Citações de Deli: Wendell Rodricks (identidade, gastronomia)

Em entrevista recente ao Gomantak Times:
"It pains me, but one of the places where we have lost our identity is the beaches of Goa... If you go to a shack and have to go through Italian, French, Thai, Chinese cuisine... before you come to a fish curry rice, and that too the person preparing it comes from Kerala, the waiter ends up being from Karnataka. It's not Goa anymore. That is scary. The government when handing out shack licences should insist that 65 per cent of the menu should be Goa."
Indelible India
... Sexual harassment? Well, when I was asked the question it took me right back to certain memories at this home of mine - a man masturbating while looking at me, through the night, in a cramped train compartment all the way from Siliguri to Kolkata; a man pressing his erection against my back in a crowded train in Mumbai; the offer of starring in a porn film in Kolkata; bruises welting my thighs fom grasping, pinching hands in a Delhi Ramlila gathering. ...
domingo, 27 de janeiro de 2008
Domingos matrimoniais: HIV positive
WANTED
HIV (+) Girl for HIV (+) Boy of Good Family
Unmarried
33/178 cm, Phy. Healthy & Fit.
Having own Established Business.
Viral Load Undetectable.
Email: ...
sábado, 26 de janeiro de 2008
Uma casa goesa inspiradora
No seu blogue, a espanhola Véro relata como passou um mês inteiro na nossa casa em Goa. Aproveitou e conseguiu terminar um livro que há muito planeava terminar. Confirma-se assim que a localização serve de inspiração, bem como o dom paternal para escolher casas em contextos soberbos: já em 1981 foi assim, no Rogel.
La casa es una pasada. Ayer me pase el dia entero (quiere decir desde las 11h hasta las 22h, solo con pausa para comer y cenar) dibujando en la terraza con vista al lago. Se respira una paz y una calma... Es genial! Ahora tengo que conseguir imprimir lo que llevo escrito de novela para poder continuar en este ambiente tan favorable.
Un lugar increible, fascinante! El lago te transporta en otro universo, al mundo de los pajaros, las mariposas, los monos y los esquiroles... Con tanta naturaleza alrededor, uno no puede permanecer indiferente. Un entorno inspirador y unas gentes encantadoras!Gracias por darme esta oportunidad!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Aldrabando: No tickets available, package only
Aldrabando: Official tourist bureau
Filmes de Deli: Taare Zameen Par
É um dos melhores filmes indianos que já vi. Aamir Khan já não precisa de me convencer. Faz parte de uma geração de actores e directores indianos mainstream que começam a inovar, a procurar escapar à gigantesca silly industry em que Bollywood se transformou na última década, correspondendo ao boom económico e à febre consumista.
O que é interessante, talvez menos em Lagaan, mas mais em Rang de Basanti, e particularmente neste Taare Zameen Par (TZP), é a emergência de um classe de filmes intermédios, entre o Bollywood palhaçada e o cinema-indiano-para-ocidental-ver, de Mehta e Nair. De vez em quando até gosto de ver três horas e meia de carnaval mumbaikar na tela e ignorar os cortes mal feitos, o pé de uma assistente ou um relógio digital no pulso de um herói medieval. E de vez em quando também gosto de ver Mehta e Nair, porque é, de facto, cinema de excelência, embora para mim não seja cinema indiano per se e eu desconfie, à partida, da obsessão diaspórica em construir pontes interculturais e digerir a diferença autóctone para o Outro não a ter que mastigar.
Portanto, para além dos clássicos bengalis, a preto e branco, não restava muito. Mas Aamir Khan traz algo de novo. TZP é um filme pensado e executado com cuidado, uma raridade. Pega numa narrativa marginal, um menino disléxico que enfrenta a ignorância e a discriminação de tudo e de todos. Junta-lhe uma fotografia original (aqueles bonecos fantásticos a gravitarem à volta da cabeça do miúdo na parte inicial) e uma música excepcional (a profundidade original dos xilofones).
A crítica recebeu o filme com uma ladaínha de elogios. Interpretou a celebração da infância. Sublinhou o apelo ao respeito e à defesa da diferença, focando aqueles longos planos com as crianças deficientes mentais em júblio, num palco escolar. Saudou a função pedagógica dos pais e a importância da unidade familiar, representada naquele momento de despedida, em que o jeep arranca da escola nos Himalaias e o nosso pequeno herói fica para trás e chora convulsivamente, separado de quem mais ama. Será por estas razões que o Governo decidiu isentar o filme dos impostos e das taxas habituais, incentivando assim o público a visioná-lo.
Mas esquecem-se todos do que será talvez o propósito principal que guiou este projecto de Khan. Uma crítica monumental ao sistema de educação e ao estilo de vida que estamos a adoptar, tanto na Índia como no desenvolvido Ocidente (ou talvez mesmo mesmo mais aqui). A pressão extrema, a competitividade cega e a proibição de falhar, não só logo na pré-primária (exames aos três anos de idade), mas também no adulto mundo profissional. A dislexia, a crise familiar e a pressão social - tudo se dissolve com a ajuda de um professor (Khan) que encontra a resposta na pintura e encoraja o menino a superar as suas deficiências, e assim ser re-assimilado pela sociedade. É por isso que as cenas e a letra de Jame Raho (vídeo abaixo) são, pelo menos para mim, um dos momentos mais simbólicos e mais bem conseguidos de TZP.
O facto de tudo acabar em bem, mesmo com muitas lágrimas nos olhos, é no entanto inquietante. Suspeito que contribui para que a mensagem crítica não passe com a eficiência desejável, pelo menos para o grande público. Tudo se resolve e o pequeno Ishaan torna-se normal, e até sobredotado em termos artísticos. Para o imaginário indiano contemporâneo é a prova de que o sucesso é alcançável, até para os mais desfavorecidos e discriminados, porque haverá sempre um Aamir Khan por perto para os ajudar - eu é que não porque tenho que entrar no IIT ou no IIM.
Ou talvez me engane e subestime a capacidade interpretativa dos que sorriram e choraram ao meu lado, enquanto falavam ao telemóvel, comiam pipocas e coçavam os seus escrotos. Talvez TZP contribua mesmo para que haja mais e mais Aamir Khans a apoiarem muitos mais Nishaants.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Cartas de cá

Uma lufada de ar fresco: já somos dois cronistas da Índia. Paulo Varela Gomes, o novo delegado da Fundação Oriente em Goa, escreve agora uma crónica semanal no Público, creio que às quartas-feiras. Soberba a de ontem, sobre os católicos de Goa. Como sempre, percorrendo estrategicamente a cumeada entre as várias dicotomias que castram o debate público em Portugal, em particular a nossa aproximação a Goa e ao restante ex-Império.
Novas vidas indianas
Novas vidas amigas
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Citações de Deli: P. Chidambaram

Ministro das Finanças, P. Chidambaram, ontem, comentando a queda da Sensex: Worries of [the] Western world should not be allowed to overwhelm us...our economy is very different from some economies of developed countries.
No seguimento de um crash de bolsa, gosto sempre de observar as respostas deste ministro, ou de outros responsáveis governamentais, procurando acalmar os ânimos e apelando à confiança. Nesses momentos, vale mesmo tudo. São, por isso mesmo, apelos que reflectem sentimentos e tendências profundas, como neste caso, em que Chidambaram compara qualitativamente as economias, mas no fundo contribui para sublinhar uma diferença (que se quer) primordial entre a Índia e o Ocidente. Curiosamente, esta é uma diferença orientalista, mas inversa à tradicional. É agora o indiano o suposto empresário racional e frio, o homo economicus que deve fazer todos os possíveis para resistir aos voláteis impulsos emocionais dos seus congéneres ocidentais. Há quem lhe chame de Ocidentalismo.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Bali, ilusão e fatalismo (Atlântico)

Excerto da minha coluna Passagem para a Índia, no número de Janeiro da revista Atlântico, ainda nas bancas:
Passagem para a Índia
Constantino Xavier em Nova Deli
BALI, ILUSÃO E FATALISMO
Ao contrário do que se tende a pensar no Ocidente, a protecção do ambiente e a responsabilidade ecológica transnacional nunca mereceram um lugar de destaque no pensamento político indiano. Os contributos de Gandhi nunca passaram de filosofias anti-modernas, inspirados por uma visão bucólica do mundo e Nehru gostava de defender grandes causas morais como o desarmamento mundial, mas a nível interno o ecossistema indiano foi sempre a vítima número um do seu modelo de desenvolvimento económico.
O boom económico dos anos noventa só veio agravar o processo – numa economia que cresce a 9% e que, todos os anos, retira milhões da pobreza extrema, quase ninguém tem paciência para apelos à contenção. Era assim pura ilusão pensar que a Índia iria assumir um papel de destaque em Bali ...
...entre o processo de desilusão necessário e o fatalismo de um cataclismo provocado por um suposto autismo ecológico asiático e uma impotência persuasiva europeia, apresentam-se várias oportunidades que, a serem perseguidas com tacto, poderão render importantes resultados em Copenhaga, em 2009 ...
Leituras de Deli: Um certo olhar
Por acaso, encontro virtualmente "Um certo olhar - Impressões Digitais de Uma Viagem ao Nepal e Tibete", o livro em que o Luís Guimarães relata as suas aventuras no eixo Deli-Catmandu-Lasa-Pequim, do ano passado. Inclui uma breve passagem por esta cidade, e por minha casa, a que já tinha feito referência aqui. Não pude ainda ler, mas conhecendo a escrita do Luís daqui, promete.Sinopse:
Um certo olhar é um relato genuíno de uma aventura a solo por uma das regiões mais fascinantes e místicas do Planeta. Por vezes divertido e cómico, outras profundo e introspectivo, retrata com uma sensibilidade comovente um universo de especiarias e riquexós, montanhas nevadas e monges perdidos, vielas poluídas e templos de incenso. Um passaporte capaz de despertar a qualquer um a vontade de pegar na mochila e partir sem data de regresso à descoberta do Mundo.
Acordar hoje
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Hoje não durmo VII
Hoje não durmo IV
Hoje não durmo III
Hoje não durmo I
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
2008 - Year 5

A vida em Deli, 2004-2008.
Dos testemunhos íntimos de 2004 - em que resistia à imagem e me agarrava ao texto, e aos amigos - à massificação e fulanização de 2007: em média, mais de um post por dia, cores, fotos, vídeos, notícias, relógio e contador.
Algo me diz que esta vida terminará algures em 2008.
Ou talvez nunca.
2008
sábado, 29 de dezembro de 2007
Desestabilizadores
India currently produces approximately 2.45 million graduates every year out of which 200,000 are engineers, 73,000 IT professionals, 117,000 medical doctors and 40,000 MBAs.
Acordar hoje
Cruzamento
Pede-me vinte. Entrego trinta, já está o sinal verde e os motores arrancam. Oiço ainda um grito sufocado. Uma exclamação. Um insulto ou apelo? Olho e percebo, tarde de mais. Tenho não um, mas dois barretes natalícios.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Comendo em Deli: Lodhi Garden Restaurant
Uma das melhores opções para um fim de tarde no Inverno ou início de noite no Verão. Logo ao lado do belo Lodhi Park, com uma localização soberba no centro mais calmo da cidade, é a opção que mais se aproxima do conceito de esplanada ou de open air dining, praticamente inexistente em Deli. A comida (ocidental, principalmente italiana) é muito boa e os preços são aceitáveis (pratos principais entre 300 e 500 Rupias).O melhor é mesmo o verdejante jardim com iluminação romântica e pequenas tendas (infelizmente só para dois - grupos maiores têm que comer no interior, ou no apertado terraço do primeiro andar). Programação musical do melhor, com djs convidados e lounge music todas as noites, para além de ocasionais concertos ao vivo (recentemente, os Olive Tree, de Portugal). Atenção aos mosquitos. E à polícia, que aparece quando a música se prolonga pela noite e os vizinhos milionários se queixam.
Acordar hoje
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Carteiro
"Christmas", diz-me, sorridente. Silêncio. Repete. Percebo. Entrego-lhe uma nota de 50 Rupias: "Happy New Year". E vou continuar a receber o correio.
Natal em Deli
A habitual arrumação geral, juntando roupa velha e tralha diversa acumulada ao longo de um ano. Começo a travar e já estão uns dez miúdos à nossa volta, agarrando os sacos, batendo-nos na mão. Duas meninas, uma de bebé ao colo, envolvem-se numa luta. Arranco e páro um pouco mais à frente, para observar. Um dos miúdos retira uma luva e sorri, mas já se aproxima um maior. Arranco.
Decoração natalícia. Estrela iluminada, no meio da escadaria (mais giro), ou por cima da porta de entrada (menos ofensivo)? Os tempos são nacionalistas, optamos pela moderação e rejeitamos algo potencialmente provocador para os vizinhos. No interior, árvore de natal. Artificial, é claro. E sem presépio.
Tradição, religiosa? Missa na Sacred Heart Cathedral, ali logo ao lado da Gurudwara Bangla Sahib. Desta vez matinal, mesmo assim outra vez na tenda pouco atmosférica. Muitos brancos, visivelmente horrorizados: as sagradas vozes do coro são acompanhado por batidas e sons psicadélicos trance e pop do synthesizer, enquanto que as pessoas entram e saem e atendem o telemóvel, em clima de feira. Pseudo-beijinho no muito cuspido joelho do menino Jesus.
Almoço na sala: dois portugueses, uma indiana do Dubai, uma tailandesa, um caxemire , uma americana , um goês, um nigeriano e um japonês. Bacalhau, seguido de thai green curry. Depois, troca de presentes (no valor máximo de 2 Euros), acompanhada de bolos, doces e de um delicioso Vinho do Porto.
domingo, 23 de dezembro de 2007
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Índia registada


I think the house will agree that it is desirable that a candidate who actually wishes to serve in the legislature should have some higher qualifications than merely being a voter. The functions that he is required to discharge in the house require experience, certain amount of knowledge, and practical experience in the affairs of the world, and I think if these additional qualifications are accepted, we shall be able to secure the proper sort of candidates who would be able to serve the house better than a mere ordinary voter might be. (B.R. Ambedkar in Constituent Assembly Debates 1946-50, Vol. VIII, Page 89)Dr. B.R. Ambedkar, Chairman, Drafting Committee, em defesa do artigo 84(c) da Constituição Indiana, algures em finais da década de quarenta do século passado. Vinda de quem vem, o insuspeito defensor da igualdade democrática e dos intocáveis dálitas (que acusava Gandhi de condescendência e paternalismo), é uma afirmação demonstrativa do profundo sentido de missão que guiava a elite política indiana pré- e pós-Independência. A política era (e é ainda, em grande medida) reservada aos iluminados, ou seja, formados em colégios e universidades britânicas e/ou latifundiários e industrialistas.
Tal como os orientalistas do século XIX, estes favorecidos "descobriram" a Índia. Literalmente, no caso de Nehru. Ou melhor, descobriram uma certa Índia, espelho das suas ansiedades identitárias e reflexo da sua mundivivência ocidentalizada. Daí resultou uma Índia particular, a Índia de hoje, tal como a conhecemos e reconhecemos, acidente da História. A Índia como ideia, mas também (mais e mais) nação. E as ideias, tal como as invenções e descobertas, são normalmente registadas.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Desestabilizadores
Goan Diaspora, the Home and the Host
Seminar evaluates role and importance of Goan Diaspora
The relations of the Goan Diaspora to its respective host countries, as well as to homeland Goa were the focus of attention of scholars, policy-makers, Goans residing in the capital city and other interested in the day-long seminar organised by the local Goan association “Goenkarancho Ekvot”, last weekend, at the India International Centre, New Delhi.
The morning session addressed the “Place of the Goan Diaspora in the making of Contemporary Goa”. While Julio Ribeiro, former ex-Commissioner for Police, resuscitated memories of past Goan life in Mumbai and the importance of the “kuds” as social and political meeting points, reputed architect and writer Pramod Kale discussed how Gulf Goans are represented in “tiatr”. D H Panandiker, former Secretary General of FICCI, made a detailed presentation on the role remittances from the Diaspora play in the economic development of
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Acordar hoje
Desestabilizadores
Desestabilizadores

A Time Out Mumbai foi lançada em 2004.
A Time Out Delhi existe há quase um ano.
A Time Out Lisboa foi lançada este mês.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
UE/Índia: Europa promove abertura e multiculturalidade na Índia - investigador (RTP/Lusa)
Presidência UE
Lisboa, 29 Nov (Lusa) - A Comissão Europeia tem feito um grande esforço de promoção na Índia de uma Europa unida e multicultural, afirmou à agência Lusa o investigador português Constantino Xavier, a viver em Nova Deli.
Nas vésperas da cimeira UE-Índia, em Nova Deli, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, este investigador, especializado em relações internacionais entre Europa e Índia, sublinhou a "forte promoção" de uma mensagem de Europa unida por parte da Comissão Europeia naquela república."Os indianos têm uma grande dificuldade em compreender a ideia do que é a União Europeia, se é um continente, uma organização, e vêem uma Europa fechada, conservadora, rica e velha", referiu Constantino Xavier.
No entanto, as instâncias europeias tentam mostrar o que é a Europa ao nível dos direitos humanos, da democracia, da excelência tecnológica, de que é "uma Europa aberta", referiu.
A nível institucional, as relações culturais passam pelo trabalho da delegação da Comissão Europeia na Índia e pelos diferentes institutos de promoção de cultura no país, como o Instituto Camões, o Goethe Institute ou o British Council.
Por seu turno, relata Constantino Xavier, as autoridades indianas têm programas de cooperação com a Europa ao nível cultural e educacional, com a atribuição de bolsas de estudo a estudantes indianos em países europeus.
"Apesar das barreiras que existem entre ambos, há uma nova geração cá que se revê na Europa, no seu ambiente cosmopolita", comentou o investigador, actualmente a terminar o mestrado em Nova Deli.
"Ambos têm em comum a diversidade cultural. Não nos podemos esquecer de que na Índia há 30 línguas oficiais e centenas de dialectos e a União Europeia têm 27 países com a sua própria existência cultural", recorda Constantino Xavier.
"Os indianos acham que chegou a vez da Índia, mas perceberam que, no caso da Europa, ainda não têm representações oficiais em questões importantes como as questões climáticas ou culturais", opinou o estudioso.
A antecipar a cimeira UE-Índia, a reunião dos chefes de Estado e de Governo agendada para dia 30 em Nova Deli, esta cidade acolhe uma semana cultural europeia que incluirá, entre outros eventos, uma exposição sobre o arquitecto Álvaro Siza Vieira que o primeiro-ministro José Sócrates inaugurará.
SS.
Lusa/Fim
Cenouras para a Birmânia (Atlântico)
Excerto da minha coluna Passagem para a Índia, no número de Dezembro da revista Atlântico, ainda nas bancas:Constantino Xavier em Nova Deli
CENOURAS PARA A BIRMÂNIA
(...) Mas o consenso indiano é forte: a Birmânia tem que regressar à esfera de influência de Nova Deli, setenta anos depois de se ter separado da Índia Britânica. O desacordo reside, no entanto, na melhor forma de realizar esta ambição.
Os chamados falcons têm assumido uma linha extremamente pragmática, dominante nos últimos anos e assente na cooperação militar. Por outro lado, há um embrionário lóbi que defende a cooperação e integração regional transfronteiriça, não só entre os sete estados do Nordeste indiano e as quatro províncias do Norte da Birmânia (Rakhine, Chin, Sagaing e Kachin), mas também com as províncias fronteiras chinesas do Tibete e do Yunnan e com o Bangladexe.
Estes regionalistas, de inspiração funcionalista e liberal, e da confiança de Manmohan Singh, já têm testado as suas teorias na prática. Estão, por exemplo, por trás das iniciativas da Baía de Bengala (BIMSTEC), de Kunming e do Mekong-Ganga, todas vocacionadas para expandir o soft power económico indiano para a Ásia do Sudeste e para amarrar a China institucionalmente em fóruns multilaterais. Pelo meio, querem também reabrir a histórica Stilwell Road (Índia-Birmânia-China) construída, em 1942, por 15 mil americanos, para placar o avanço japonês.
Não há dúvida que esta segunda vertente da diplomacia indiana para a Birmânia também tem compactuado pontualmente com os generais de Naypyidaw. Mas não deixa de ser uma alternativa credível e construtiva, contrastando com os limitados interesses de segurança chineses (...)
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Sons de Deli: Kya Soorat Hai
Cartas prá Metrópole
Cartas prá Metrópole, Jan/Fev 2006
9 de Janeiro
De: Delhi
Para: Lisboa
- Javardice generalizada STOP
- A saida do aeroporto parece o fim da feira de carcavelos STOP
- Os gajos olham para nos como se fossemos aliens STOP
- E riem-se a toda a hora STOP
- Os homens tem torneirinhas e baldes para lavar o pirilau. As mulheres se nao tiverem de pagar o papel higienico estao cheias de sorte STOP
- A barulheira e a qualquer hora. Buzinar e palavra de ordem STOP
- A confusao de cheiros e imensa. Nem bons nem maus antes pelo contrario STOP
- O transito e alucinante. Admira-me como nao se espetam todos uns nos outros a toda a hora. Nao da para acreditar nas razias dos Tuk Tuk (riquechos a motor) uns aos outros com tudo e todos (incluindo cabras, caes, vacas, camelos, motas, bicicletas...) a atravessarem-se no caminho STOP
- Feia e suja STOP
- Da ideia que os edificios se vao desmoronar ao primeiro sopro STOP
- Uma fumarada do cacete constantemente no ar STOP
- Poluicao e pouco para descrever a poeirada que entra por todos os poros e mais alguns, inclusive pelos olhos STOP
- A pobreza nao me passa ao lado. Muito menos os muidos a pedir e as pessoas que vivem sentadas na rua. STOP
- Os olhos das pessoas sao irresistiveis STOP
- Esta merda nao tem acentos nenhuns STOP
Mais
Leituras de Deli: Loucos pela Índia (Régis Airault)
E mais uma peça de literatura de viagem ocidental sobre a Índia, esta de tons sociológicos, traduzida para o português.Autor: Régis Airault
Editora: Via Óptima
De Mumbai a Goa, de Delhi a Pondichéry, um verdadeiro síndroma indiano atinge todos os Ocidentais - na sua maior parte adolescentes e jovens adultos - que vão a este país. Aí, mais do que em qualquer outro lugar e de uma forma mais espectacular, parece que a nossa identidade vacila. Pessoas até então indemnes a qualquer desordem psiquiátrica sentem subitamente, sem tomar drogas, um sentimento de estranheza e perdem o contacto com a realidade.
O que é que nos atrai na Índia? Porque é que lá somos tão frágeis? E o que nos ensina sobre nós mesmos esta experiência, que transforma em profundidade a nossa visão do mundo?
Indira Gandhi International Airport

Os estrangeiros de Deli costumam queixar-se de tudo. A habitação é de péssima qualidade e é demasiado cara, o clima é inaceitável e o trânsito diabólico etc. e tal. Entre estas diversas queixas subsiste a de que o aeroporto da cidade é "o pior do mundo".
Se as demais críticas são muitas vezes exageradas, esta sobre o aeroporto com nome de Primeira-Ministra é extremamente justa. Tendo em conta que esta é a capital de um país que se quer grande potência, bem como outros critérios como o facto de ser uma das maiores metrópoles do mundo (15 milhões de habitantes), uma das economias em maior crescimento (entre 7 e 9%), ter a maior comunidade diplomática do mundo, e ser actualmente das capitais mundiais mais visitadas por chefes de estado e outros altos representantes governamentais - tendo em conta tudo isto - o aeorporto é de facto chocante. Isto é, em termos relativos, este é certamente o pior aeroporto do mundo.
Sem as mínimas condições e infra-estruturas, oferece certamente condições piores do que... não encontro compraração em qualquer espaço geográfico ou temporal. Nem o nosso Aeroporto da Portela, há dez ou vinte anos atrás. O acesso faz-se por uma via rápida esburacada e poeirenta (conversão em lama, durante as chuvas) e obrigatoriamente por um imenso trânsito de centenas de veículos que procuram passar pelo controle de segurança militar. Depois, a entrada no terminal é feita de forma caótica (só os passageiros estão autorizados a entrar). O check-in, a imigração, o security-check e o embarque fazem-se todos, sucessivamente, ao estilo de Feira do Gado da Malveira.
À chegada, é a mesma coisa: meia ou uma hora à espera de receber o immigration clearance (vinte segundos e um carimbo no visto), falta de trolleys, bagagem atrasada, perdida ou desfeita, dezenas de aldrabões, taxistas e agentes de hotel à procura desesperada de foreign exchange.
É verdade que está tudo em obras, com capital e know-how estrangeiro. Em breve será diferente. E agora pelo menos há uns painéis com mensagens que se querem reconfortantes. "Please bear with us, we are preparing a world class airport". Ou - e esta é a minha preferida: "Soon, you will wish your flight is delayed". Parabéns ao jovem indiano com tamanho talento de marketing que se lembrou de tal monstruosidade: é como colocar um painel no bloco de urgências de um hospital horroroso qualquer, com a seguinte mensagem, "Soon, you will wish you will never get well".










