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Dr. B.R. Ambedkar, Chairman, Drafting Committee, em defesa do artigo 84(c) da Constituição Indiana, algures em finais da década de quarenta do século passado. Vinda de quem vem, o insuspeito defensor da igualdade democrática e dos intocáveis dálitas (que acusava Gandhi de condescendência e paternalismo), é uma afirmação demonstrativa do profundo sentido de missão que guiava a elite política indiana pré- e pós-Independência. A política era (e é ainda, em grande medida) reservada aos iluminados, ou seja, formados em colégios e universidades britânicas e/ou latifundiários e industrialistas.
Tal como os orientalistas do século XIX, estes favorecidos "descobriram" a Índia. Literalmente, no caso de Nehru. Ou melhor, descobriram uma certa Índia, espelho das suas ansiedades identitárias e reflexo da sua mundivivência ocidentalizada. Daí resultou uma Índia particular, a Índia de hoje, tal como a conhecemos e reconhecemos, acidente da História. A Índia como ideia, mas também (mais e mais) nação. E as ideias, tal como as invenções e descobertas, são normalmente registadas.
Pois e. A India do Hindutva foi tao inventada (e no sec XIX e XX!) como esta. Todas as comunidades sao imaginadas (B.Anderson). Mas as mais identitarias costumam gerar monstros (os Judeus da Europa -sobreviventes - que o digam e agora haja quem acuda aos Muculmanos do Gujarate! - e que nao seja o Osama Bin Laden!).
ResponderEliminarExactamente. No caso indiano, há contudo a particularidade de a invenção (a tal Índia de Nehru) estar crescentemente a ser imaginada no terreno, entre as massas, ao que eu já chamei de "Indianização" numa crónica na Atlântico. Isto é, a invenção/ideia marca registada está a popularizar-se, a ganhar raízes, e a transformar-se em imaginação, logo nação.
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