domingo, 1 de junho de 2008

O gigante sapo nepalês



Choveram mensagens felicitando o povo nepalês pela proclamação da sua República. Mas esta mensagem, muito educada e sóbria, do Presidente da Lok Sabha (Câmara baixa), especialmente se comparada com este autêntico fogo-de-artifíco retórico norte-americano, diz muito sobre sólida preferência status quoista e conservadora da política externa indiana, não sõ para a região da Ásia do Sul, bem como para o resto do mundo.

Já foi suficientemente complicado engolir o enorme sapo que representa a presença das Nações Unidas e de observadores internacionais aqui logo ao lado, por terras nepalesas, a umas centenas de quilómetros da capital do soberano Raj.

Pior, só mesmo a proclamação de uma república pelos mesmos maoístas que, ainda há três anos, eram abatidos com armas indianas, pelo Exército Real Nepalês, cujo chefe supremo era um monarca autocrata (desculpem a redundância), primo afastado de meia aristocracia indiana e amigo protegido de uma das cabeças que mais (e mal) continuam a influenciar a política do South Block para a região.

Com o (mesmo que muito hiperbolizado) Red Corridor em rápida expansão (Nepal-Andra Pradexe) e os naxalitas a viverem um momento de glória, que até já lhes permite formar governos paralelos em vastas zonas do hinterland tribal, com os outros vermelhos (chineses) a brincarem crescentemente ao jogo muito engraçado que é o "atravessa-a-fronteira-e-foge", com metade do Nepal em vias de declarar independência ou (re-)integração na Índia, com tudo isto, e mais algumas coisas de que eu agora não me lembro, porque já é tarde e estou cansado, é natural que Nova Deli irá engolir muitos mais sapos nepaleses ainda.

5 comentários:

  1. Prezado Constantino. Gostaria de saber se posso usar algumas notícias ou informações publicadas no seu blog para divulgar um pouco da cultura oriental no meu blog no Brasil (http://blog.livrariaoraculo.com.br). Sempre colocarei a respectiva referência. Obrigado.

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  2. Caro Washington, claro que sim, com todo o prazer. Cumprimentos, CHX

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  3. Sr. Dr. Xavier, porque considera V. Exa. uma redundância "monarca autocrata"? Parece-lhe que a autocracia é uma condição intrínseca à monarquia? O senhor, que parece ufanar-se dos seus conhecimentos de política internacional, já experimentou verificar sob que regimes medram as mais louvadas democracias e as mais odiosas autocracias?

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  5. Não gostaria de entrar no debate fútil para o qual obviamente me quer atrair, mas admito que monarca e autocrata não são necessariamente sinónimos (embora no contexto nepalês a equivalência faça todo o sentido). Já agora, veja lá se ao menos deixam a coroa em Cátmandu.

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