segunda-feira, 13 de setembro de 2004

Mastigar e Digerir a Índia, 2002 (Fragmentos II)

Passo a grande velocidade no autocarro. Na berma, um objecto volumoso e escuro. As minhas narinas inalam um cheiro pestilento. Reconheço um búfalo de água indiano – basicamente uma vaca - em avançado estado de decomposição e uma dúzia de gralhas. Com os seus bicos afiados esventram a carcaça. Os intestinos, espalhados pela estrada, são esmagados pelo pneu do autocarro em que sigo. Passo a respirar uns segundos pela boca e viro para a página dois do jornal.

2 comentários:

  1. sempre gostei da atitude blasé (desde que não se leve longe demais, claro). estes fragmentos são deliciosos, adoro. mas não te quero a planar sobre a Índia como se fosses uma ave altiva, Tino! quero-te a remexer na lama e nas tripas! continua,
    um abraço com saudades,
    j.

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  2. Tino, acabo de ler pela primeira vez esta bodega, aliás, blogue. Um abraço

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