quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Bhajji not racist
Três palavras que hoje bombardeiam as capas dos diários e, ainda ontem, abriram eufóricas os serviços noticiosos na televisão. Bhajji not racist. A saga "racista" da selecção nacional de críquete indiana e o jogo com a Austrália, há uns quinze dias, termina assim como era previsível.
Tudo rodou à volta de uma acusação de racismo que Symonds, um jogador australiano de origem aborígene (foto em cima), dirigiu ao jogador indiano Harbhajan. Symonds já anteriormente tinha sido vítima de racismo indiano, especialmente por parte do público cá da terra, que gosta de urrar e pular, tal e qual símios, sempre que é ele o batsman ou bowler (comportamento familiar no mundo do futebol europeu). Desta vez, segundo a acusação australiana, Harbhajan chamou Symonds de "big monkey" ou algo parecido, durante o jogo.
O mais interessante nesta história toda é a forma como a Índia inteira reagiu à acusação. Nós, indianos, racistas? Impossible, simply ridiculous. Condenação generalizada. Os australianos não sabem perder, pensa-se e diz-se também (acabaram por perder o jogo, os indianos quebrando assim uma sua série vitoriosa inédita). A federação indiana de críquete, a poderosa BCCI, ajudou a colocar achas na fogueira: se Harbhajan fôr condenado, a equipa abandona imediatamente o torneio, como medida de retaliação, avisou.
Ontem, dia de decisão oficial da ICC, a congénere da FIFA, aconteceu portanto o óbvio: Harbhajan foi condenado por uma violação de gravidade 2 (abuso geral menor), e não 3 (ofensa racista grave), atraindo assim uma pena mínima. O país recebeu a notícia com imenso alívio: Bhajji not racist. Logo, we not racist.
Pior, o Times of India de hoje leva o fervor nacionalista, racista e xenófobo indiano até aos limites, confirmando todas as suspeitas com que analisei este episódio nestas últimas semanas. Anuncia, como título de abertura, em letras garrafais: "Monkey off Bhajji's back".
Eu e Gandhi no RCP
Estive há pouco, em directo, no Rádio Clube Português (programa Janela Aberta) para, em conjunto com o Prof. Narana Coissoró, discutir o Mahatma Gandhi e o 60º aniversário do seu martírio, que se celebrou hoje.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Papéis de Deli: Postal eleitoral
Há um número substancial de estudantes que vivem fora das residências (conhecidos como day scholars), espalhados pela cidade (o meu caso). Impedidos de enviarem cartas impressas, os apoiantes desta lista candidata (SFI-AISF) decidiram escrever o seu programa eleitoral à mão em centenas de postais, que depois enviaram pelo correio:
Desestabilizadores
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Citações de Deli: Wendell Rodricks (identidade, gastronomia)
Em entrevista recente ao Gomantak Times:
"It pains me, but one of the places where we have lost our identity is the beaches of Goa... If you go to a shack and have to go through Italian, French, Thai, Chinese cuisine... before you come to a fish curry rice, and that too the person preparing it comes from Kerala, the waiter ends up being from Karnataka. It's not Goa anymore. That is scary. The government when handing out shack licences should insist that 65 per cent of the menu should be Goa."
Indelible India
... Sexual harassment? Well, when I was asked the question it took me right back to certain memories at this home of mine - a man masturbating while looking at me, through the night, in a cramped train compartment all the way from Siliguri to Kolkata; a man pressing his erection against my back in a crowded train in Mumbai; the offer of starring in a porn film in Kolkata; bruises welting my thighs fom grasping, pinching hands in a Delhi Ramlila gathering. ...
domingo, 27 de janeiro de 2008
Domingos matrimoniais: HIV positive
WANTED
HIV (+) Girl for HIV (+) Boy of Good Family
Unmarried
33/178 cm, Phy. Healthy & Fit.
Having own Established Business.
Viral Load Undetectable.
Email: ...
sábado, 26 de janeiro de 2008
Uma casa goesa inspiradora
No seu blogue, a espanhola Véro relata como passou um mês inteiro na nossa casa em Goa. Aproveitou e conseguiu terminar um livro que há muito planeava terminar. Confirma-se assim que a localização serve de inspiração, bem como o dom paternal para escolher casas em contextos soberbos: já em 1981 foi assim, no Rogel.
La casa es una pasada. Ayer me pase el dia entero (quiere decir desde las 11h hasta las 22h, solo con pausa para comer y cenar) dibujando en la terraza con vista al lago. Se respira una paz y una calma... Es genial! Ahora tengo que conseguir imprimir lo que llevo escrito de novela para poder continuar en este ambiente tan favorable.
Un lugar increible, fascinante! El lago te transporta en otro universo, al mundo de los pajaros, las mariposas, los monos y los esquiroles... Con tanta naturaleza alrededor, uno no puede permanecer indiferente. Un entorno inspirador y unas gentes encantadoras!Gracias por darme esta oportunidad!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Aldrabando: No tickets available, package only
Aldrabando: Official tourist bureau
Filmes de Deli: Taare Zameen Par
É um dos melhores filmes indianos que já vi. Aamir Khan já não precisa de me convencer. Faz parte de uma geração de actores e directores indianos mainstream que começam a inovar, a procurar escapar à gigantesca silly industry em que Bollywood se transformou na última década, correspondendo ao boom económico e à febre consumista.
O que é interessante, talvez menos em Lagaan, mas mais em Rang de Basanti, e particularmente neste Taare Zameen Par (TZP), é a emergência de um classe de filmes intermédios, entre o Bollywood palhaçada e o cinema-indiano-para-ocidental-ver, de Mehta e Nair. De vez em quando até gosto de ver três horas e meia de carnaval mumbaikar na tela e ignorar os cortes mal feitos, o pé de uma assistente ou um relógio digital no pulso de um herói medieval. E de vez em quando também gosto de ver Mehta e Nair, porque é, de facto, cinema de excelência, embora para mim não seja cinema indiano per se e eu desconfie, à partida, da obsessão diaspórica em construir pontes interculturais e digerir a diferença autóctone para o Outro não a ter que mastigar.
Portanto, para além dos clássicos bengalis, a preto e branco, não restava muito. Mas Aamir Khan traz algo de novo. TZP é um filme pensado e executado com cuidado, uma raridade. Pega numa narrativa marginal, um menino disléxico que enfrenta a ignorância e a discriminação de tudo e de todos. Junta-lhe uma fotografia original (aqueles bonecos fantásticos a gravitarem à volta da cabeça do miúdo na parte inicial) e uma música excepcional (a profundidade original dos xilofones).
A crítica recebeu o filme com uma ladaínha de elogios. Interpretou a celebração da infância. Sublinhou o apelo ao respeito e à defesa da diferença, focando aqueles longos planos com as crianças deficientes mentais em júblio, num palco escolar. Saudou a função pedagógica dos pais e a importância da unidade familiar, representada naquele momento de despedida, em que o jeep arranca da escola nos Himalaias e o nosso pequeno herói fica para trás e chora convulsivamente, separado de quem mais ama. Será por estas razões que o Governo decidiu isentar o filme dos impostos e das taxas habituais, incentivando assim o público a visioná-lo.
Mas esquecem-se todos do que será talvez o propósito principal que guiou este projecto de Khan. Uma crítica monumental ao sistema de educação e ao estilo de vida que estamos a adoptar, tanto na Índia como no desenvolvido Ocidente (ou talvez mesmo mesmo mais aqui). A pressão extrema, a competitividade cega e a proibição de falhar, não só logo na pré-primária (exames aos três anos de idade), mas também no adulto mundo profissional. A dislexia, a crise familiar e a pressão social - tudo se dissolve com a ajuda de um professor (Khan) que encontra a resposta na pintura e encoraja o menino a superar as suas deficiências, e assim ser re-assimilado pela sociedade. É por isso que as cenas e a letra de Jame Raho (vídeo abaixo) são, pelo menos para mim, um dos momentos mais simbólicos e mais bem conseguidos de TZP.
O facto de tudo acabar em bem, mesmo com muitas lágrimas nos olhos, é no entanto inquietante. Suspeito que contribui para que a mensagem crítica não passe com a eficiência desejável, pelo menos para o grande público. Tudo se resolve e o pequeno Ishaan torna-se normal, e até sobredotado em termos artísticos. Para o imaginário indiano contemporâneo é a prova de que o sucesso é alcançável, até para os mais desfavorecidos e discriminados, porque haverá sempre um Aamir Khan por perto para os ajudar - eu é que não porque tenho que entrar no IIT ou no IIM.
Ou talvez me engane e subestime a capacidade interpretativa dos que sorriram e choraram ao meu lado, enquanto falavam ao telemóvel, comiam pipocas e coçavam os seus escrotos. Talvez TZP contribua mesmo para que haja mais e mais Aamir Khans a apoiarem muitos mais Nishaants.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Cartas de cá
Uma lufada de ar fresco: já somos dois cronistas da Índia. Paulo Varela Gomes, o novo delegado da Fundação Oriente em Goa, escreve agora uma crónica semanal no Público, creio que às quartas-feiras. Soberba a de ontem, sobre os católicos de Goa. Como sempre, percorrendo estrategicamente a cumeada entre as várias dicotomias que castram o debate público em Portugal, em particular a nossa aproximação a Goa e ao restante ex-Império.
Novas vidas indianas
Novas vidas amigas
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Citações de Deli: P. Chidambaram
Ministro das Finanças, P. Chidambaram, ontem, comentando a queda da Sensex: Worries of [the] Western world should not be allowed to overwhelm us...our economy is very different from some economies of developed countries.
No seguimento de um crash de bolsa, gosto sempre de observar as respostas deste ministro, ou de outros responsáveis governamentais, procurando acalmar os ânimos e apelando à confiança. Nesses momentos, vale mesmo tudo. São, por isso mesmo, apelos que reflectem sentimentos e tendências profundas, como neste caso, em que Chidambaram compara qualitativamente as economias, mas no fundo contribui para sublinhar uma diferença (que se quer) primordial entre a Índia e o Ocidente. Curiosamente, esta é uma diferença orientalista, mas inversa à tradicional. É agora o indiano o suposto empresário racional e frio, o homo economicus que deve fazer todos os possíveis para resistir aos voláteis impulsos emocionais dos seus congéneres ocidentais. Há quem lhe chame de Ocidentalismo.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Bali, ilusão e fatalismo (Atlântico)
Excerto da minha coluna Passagem para a Índia, no número de Janeiro da revista Atlântico, ainda nas bancas:
Passagem para a Índia
Constantino Xavier em Nova Deli
BALI, ILUSÃO E FATALISMO
Ao contrário do que se tende a pensar no Ocidente, a protecção do ambiente e a responsabilidade ecológica transnacional nunca mereceram um lugar de destaque no pensamento político indiano. Os contributos de Gandhi nunca passaram de filosofias anti-modernas, inspirados por uma visão bucólica do mundo e Nehru gostava de defender grandes causas morais como o desarmamento mundial, mas a nível interno o ecossistema indiano foi sempre a vítima número um do seu modelo de desenvolvimento económico.
O boom económico dos anos noventa só veio agravar o processo – numa economia que cresce a 9% e que, todos os anos, retira milhões da pobreza extrema, quase ninguém tem paciência para apelos à contenção. Era assim pura ilusão pensar que a Índia iria assumir um papel de destaque em Bali ...
...entre o processo de desilusão necessário e o fatalismo de um cataclismo provocado por um suposto autismo ecológico asiático e uma impotência persuasiva europeia, apresentam-se várias oportunidades que, a serem perseguidas com tacto, poderão render importantes resultados em Copenhaga, em 2009 ...
Leituras de Deli: Um certo olhar
Por acaso, encontro virtualmente "Um certo olhar - Impressões Digitais de Uma Viagem ao Nepal e Tibete", o livro em que o Luís Guimarães relata as suas aventuras no eixo Deli-Catmandu-Lasa-Pequim, do ano passado. Inclui uma breve passagem por esta cidade, e por minha casa, a que já tinha feito referência aqui. Não pude ainda ler, mas conhecendo a escrita do Luís daqui, promete.Sinopse:
Um certo olhar é um relato genuíno de uma aventura a solo por uma das regiões mais fascinantes e místicas do Planeta. Por vezes divertido e cómico, outras profundo e introspectivo, retrata com uma sensibilidade comovente um universo de especiarias e riquexós, montanhas nevadas e monges perdidos, vielas poluídas e templos de incenso. Um passaporte capaz de despertar a qualquer um a vontade de pegar na mochila e partir sem data de regresso à descoberta do Mundo.
Acordar hoje
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Hoje não durmo VII
Hoje não durmo IV
Hoje não durmo III
Hoje não durmo I
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
2008 - Year 5

A vida em Deli, 2004-2008.
Dos testemunhos íntimos de 2004 - em que resistia à imagem e me agarrava ao texto, e aos amigos - à massificação e fulanização de 2007: em média, mais de um post por dia, cores, fotos, vídeos, notícias, relógio e contador.
Algo me diz que esta vida terminará algures em 2008.
Ou talvez nunca.
2008
sábado, 29 de dezembro de 2007
Desestabilizadores
India currently produces approximately 2.45 million graduates every year out of which 200,000 are engineers, 73,000 IT professionals, 117,000 medical doctors and 40,000 MBAs.
Acordar hoje
Cruzamento
Pede-me vinte. Entrego trinta, já está o sinal verde e os motores arrancam. Oiço ainda um grito sufocado. Uma exclamação. Um insulto ou apelo? Olho e percebo, tarde de mais. Tenho não um, mas dois barretes natalícios.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Comendo em Deli: Lodhi Garden Restaurant
Uma das melhores opções para um fim de tarde no Inverno ou início de noite no Verão. Logo ao lado do belo Lodhi Park, com uma localização soberba no centro mais calmo da cidade, é a opção que mais se aproxima do conceito de esplanada ou de open air dining, praticamente inexistente em Deli. A comida (ocidental, principalmente italiana) é muito boa e os preços são aceitáveis (pratos principais entre 300 e 500 Rupias).O melhor é mesmo o verdejante jardim com iluminação romântica e pequenas tendas (infelizmente só para dois - grupos maiores têm que comer no interior, ou no apertado terraço do primeiro andar). Programação musical do melhor, com djs convidados e lounge music todas as noites, para além de ocasionais concertos ao vivo (recentemente, os Olive Tree, de Portugal). Atenção aos mosquitos. E à polícia, que aparece quando a música se prolonga pela noite e os vizinhos milionários se queixam.
Acordar hoje
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Carteiro
"Christmas", diz-me, sorridente. Silêncio. Repete. Percebo. Entrego-lhe uma nota de 50 Rupias: "Happy New Year". E vou continuar a receber o correio.
Natal em Deli
A habitual arrumação geral, juntando roupa velha e tralha diversa acumulada ao longo de um ano. Começo a travar e já estão uns dez miúdos à nossa volta, agarrando os sacos, batendo-nos na mão. Duas meninas, uma de bebé ao colo, envolvem-se numa luta. Arranco e páro um pouco mais à frente, para observar. Um dos miúdos retira uma luva e sorri, mas já se aproxima um maior. Arranco.
Decoração natalícia. Estrela iluminada, no meio da escadaria (mais giro), ou por cima da porta de entrada (menos ofensivo)? Os tempos são nacionalistas, optamos pela moderação e rejeitamos algo potencialmente provocador para os vizinhos. No interior, árvore de natal. Artificial, é claro. E sem presépio.
Tradição, religiosa? Missa na Sacred Heart Cathedral, ali logo ao lado da Gurudwara Bangla Sahib. Desta vez matinal, mesmo assim outra vez na tenda pouco atmosférica. Muitos brancos, visivelmente horrorizados: as sagradas vozes do coro são acompanhado por batidas e sons psicadélicos trance e pop do synthesizer, enquanto que as pessoas entram e saem e atendem o telemóvel, em clima de feira. Pseudo-beijinho no muito cuspido joelho do menino Jesus.
Almoço na sala: dois portugueses, uma indiana do Dubai, uma tailandesa, um caxemire , uma americana , um goês, um nigeriano e um japonês. Bacalhau, seguido de thai green curry. Depois, troca de presentes (no valor máximo de 2 Euros), acompanhada de bolos, doces e de um delicioso Vinho do Porto.
domingo, 23 de dezembro de 2007
Acordar hoje
Índia registada
Dr. B.R. Ambedkar, Chairman, Drafting Committee, em defesa do artigo 84(c) da Constituição Indiana, algures em finais da década de quarenta do século passado. Vinda de quem vem, o insuspeito defensor da igualdade democrática e dos intocáveis dálitas (que acusava Gandhi de condescendência e paternalismo), é uma afirmação demonstrativa do profundo sentido de missão que guiava a elite política indiana pré- e pós-Independência. A política era (e é ainda, em grande medida) reservada aos iluminados, ou seja, formados em colégios e universidades britânicas e/ou latifundiários e industrialistas.
Tal como os orientalistas do século XIX, estes favorecidos "descobriram" a Índia. Literalmente, no caso de Nehru. Ou melhor, descobriram uma certa Índia, espelho das suas ansiedades identitárias e reflexo da sua mundivivência ocidentalizada. Daí resultou uma Índia particular, a Índia de hoje, tal como a conhecemos e reconhecemos, acidente da História. A Índia como ideia, mas também (mais e mais) nação. E as ideias, tal como as invenções e descobertas, são normalmente registadas.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Desestabilizadores
Goan Diaspora, the Home and the Host
Seminar evaluates role and importance of Goan Diaspora
The relations of the Goan Diaspora to its respective host countries, as well as to homeland Goa were the focus of attention of scholars, policy-makers, Goans residing in the capital city and other interested in the day-long seminar organised by the local Goan association “Goenkarancho Ekvot”, last weekend, at the India International Centre, New Delhi.
The morning session addressed the “Place of the Goan Diaspora in the making of Contemporary Goa”. While Julio Ribeiro, former ex-Commissioner for Police, resuscitated memories of past Goan life in Mumbai and the importance of the “kuds” as social and political meeting points, reputed architect and writer Pramod Kale discussed how Gulf Goans are represented in “tiatr”. D H Panandiker, former Secretary General of FICCI, made a detailed presentation on the role remittances from the Diaspora play in the economic development of
Acordar hoje
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Acordar hoje
Desestabilizadores
Desestabilizadores
A Time Out Mumbai foi lançada em 2004.
A Time Out Delhi existe há quase um ano.
A Time Out Lisboa foi lançada este mês.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
UE/Índia: Europa promove abertura e multiculturalidade na Índia - investigador (RTP/Lusa)
Presidência UE
Lisboa, 29 Nov (Lusa) - A Comissão Europeia tem feito um grande esforço de promoção na Índia de uma Europa unida e multicultural, afirmou à agência Lusa o investigador português Constantino Xavier, a viver em Nova Deli.
Nas vésperas da cimeira UE-Índia, em Nova Deli, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, este investigador, especializado em relações internacionais entre Europa e Índia, sublinhou a "forte promoção" de uma mensagem de Europa unida por parte da Comissão Europeia naquela república."Os indianos têm uma grande dificuldade em compreender a ideia do que é a União Europeia, se é um continente, uma organização, e vêem uma Europa fechada, conservadora, rica e velha", referiu Constantino Xavier.
No entanto, as instâncias europeias tentam mostrar o que é a Europa ao nível dos direitos humanos, da democracia, da excelência tecnológica, de que é "uma Europa aberta", referiu.
A nível institucional, as relações culturais passam pelo trabalho da delegação da Comissão Europeia na Índia e pelos diferentes institutos de promoção de cultura no país, como o Instituto Camões, o Goethe Institute ou o British Council.
Por seu turno, relata Constantino Xavier, as autoridades indianas têm programas de cooperação com a Europa ao nível cultural e educacional, com a atribuição de bolsas de estudo a estudantes indianos em países europeus.
"Apesar das barreiras que existem entre ambos, há uma nova geração cá que se revê na Europa, no seu ambiente cosmopolita", comentou o investigador, actualmente a terminar o mestrado em Nova Deli.
"Ambos têm em comum a diversidade cultural. Não nos podemos esquecer de que na Índia há 30 línguas oficiais e centenas de dialectos e a União Europeia têm 27 países com a sua própria existência cultural", recorda Constantino Xavier.
"Os indianos acham que chegou a vez da Índia, mas perceberam que, no caso da Europa, ainda não têm representações oficiais em questões importantes como as questões climáticas ou culturais", opinou o estudioso.
A antecipar a cimeira UE-Índia, a reunião dos chefes de Estado e de Governo agendada para dia 30 em Nova Deli, esta cidade acolhe uma semana cultural europeia que incluirá, entre outros eventos, uma exposição sobre o arquitecto Álvaro Siza Vieira que o primeiro-ministro José Sócrates inaugurará.
SS.
Lusa/Fim
Cenouras para a Birmânia (Atlântico)
Constantino Xavier em Nova Deli
CENOURAS PARA A BIRMÂNIA
(...) Mas o consenso indiano é forte: a Birmânia tem que regressar à esfera de influência de Nova Deli, setenta anos depois de se ter separado da Índia Britânica. O desacordo reside, no entanto, na melhor forma de realizar esta ambição.
Os chamados falcons têm assumido uma linha extremamente pragmática, dominante nos últimos anos e assente na cooperação militar. Por outro lado, há um embrionário lóbi que defende a cooperação e integração regional transfronteiriça, não só entre os sete estados do Nordeste indiano e as quatro províncias do Norte da Birmânia (Rakhine, Chin, Sagaing e Kachin), mas também com as províncias fronteiras chinesas do Tibete e do Yunnan e com o Bangladexe.
Estes regionalistas, de inspiração funcionalista e liberal, e da confiança de Manmohan Singh, já têm testado as suas teorias na prática. Estão, por exemplo, por trás das iniciativas da Baía de Bengala (BIMSTEC), de Kunming e do Mekong-Ganga, todas vocacionadas para expandir o soft power económico indiano para a Ásia do Sudeste e para amarrar a China institucionalmente em fóruns multilaterais. Pelo meio, querem também reabrir a histórica Stilwell Road (Índia-Birmânia-China) construída, em 1942, por 15 mil americanos, para placar o avanço japonês.
Não há dúvida que esta segunda vertente da diplomacia indiana para a Birmânia também tem compactuado pontualmente com os generais de Naypyidaw. Mas não deixa de ser uma alternativa credível e construtiva, contrastando com os limitados interesses de segurança chineses (...)
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Sons de Deli: Kya Soorat Hai
Cartas prá Metrópole
Cartas prá Metrópole, Jan/Fev 2006
9 de Janeiro
De: Delhi
Para: Lisboa
- Javardice generalizada STOP
- A saida do aeroporto parece o fim da feira de carcavelos STOP
- Os gajos olham para nos como se fossemos aliens STOP
- E riem-se a toda a hora STOP
- Os homens tem torneirinhas e baldes para lavar o pirilau. As mulheres se nao tiverem de pagar o papel higienico estao cheias de sorte STOP
- A barulheira e a qualquer hora. Buzinar e palavra de ordem STOP
- A confusao de cheiros e imensa. Nem bons nem maus antes pelo contrario STOP
- O transito e alucinante. Admira-me como nao se espetam todos uns nos outros a toda a hora. Nao da para acreditar nas razias dos Tuk Tuk (riquechos a motor) uns aos outros com tudo e todos (incluindo cabras, caes, vacas, camelos, motas, bicicletas...) a atravessarem-se no caminho STOP
- Feia e suja STOP
- Da ideia que os edificios se vao desmoronar ao primeiro sopro STOP
- Uma fumarada do cacete constantemente no ar STOP
- Poluicao e pouco para descrever a poeirada que entra por todos os poros e mais alguns, inclusive pelos olhos STOP
- A pobreza nao me passa ao lado. Muito menos os muidos a pedir e as pessoas que vivem sentadas na rua. STOP
- Os olhos das pessoas sao irresistiveis STOP
- Esta merda nao tem acentos nenhuns STOP
Mais
Leituras de Deli: Loucos pela Índia (Régis Airault)
Autor: Régis Airault
Editora: Via Óptima
De Mumbai a Goa, de Delhi a Pondichéry, um verdadeiro síndroma indiano atinge todos os Ocidentais - na sua maior parte adolescentes e jovens adultos - que vão a este país. Aí, mais do que em qualquer outro lugar e de uma forma mais espectacular, parece que a nossa identidade vacila. Pessoas até então indemnes a qualquer desordem psiquiátrica sentem subitamente, sem tomar drogas, um sentimento de estranheza e perdem o contacto com a realidade.
O que é que nos atrai na Índia? Porque é que lá somos tão frágeis? E o que nos ensina sobre nós mesmos esta experiência, que transforma em profundidade a nossa visão do mundo?
Indira Gandhi International Airport
Os estrangeiros de Deli costumam queixar-se de tudo. A habitação é de péssima qualidade e é demasiado cara, o clima é inaceitável e o trânsito diabólico etc. e tal. Entre estas diversas queixas subsiste a de que o aeroporto da cidade é "o pior do mundo".
Se as demais críticas são muitas vezes exageradas, esta sobre o aeroporto com nome de Primeira-Ministra é extremamente justa. Tendo em conta que esta é a capital de um país que se quer grande potência, bem como outros critérios como o facto de ser uma das maiores metrópoles do mundo (15 milhões de habitantes), uma das economias em maior crescimento (entre 7 e 9%), ter a maior comunidade diplomática do mundo, e ser actualmente das capitais mundiais mais visitadas por chefes de estado e outros altos representantes governamentais - tendo em conta tudo isto - o aeorporto é de facto chocante. Isto é, em termos relativos, este é certamente o pior aeroporto do mundo.
Sem as mínimas condições e infra-estruturas, oferece certamente condições piores do que... não encontro compraração em qualquer espaço geográfico ou temporal. Nem o nosso Aeroporto da Portela, há dez ou vinte anos atrás. O acesso faz-se por uma via rápida esburacada e poeirenta (conversão em lama, durante as chuvas) e obrigatoriamente por um imenso trânsito de centenas de veículos que procuram passar pelo controle de segurança militar. Depois, a entrada no terminal é feita de forma caótica (só os passageiros estão autorizados a entrar). O check-in, a imigração, o security-check e o embarque fazem-se todos, sucessivamente, ao estilo de Feira do Gado da Malveira.
À chegada, é a mesma coisa: meia ou uma hora à espera de receber o immigration clearance (vinte segundos e um carimbo no visto), falta de trolleys, bagagem atrasada, perdida ou desfeita, dezenas de aldrabões, taxistas e agentes de hotel à procura desesperada de foreign exchange.
É verdade que está tudo em obras, com capital e know-how estrangeiro. Em breve será diferente. E agora pelo menos há uns painéis com mensagens que se querem reconfortantes. "Please bear with us, we are preparing a world class airport". Ou - e esta é a minha preferida: "Soon, you will wish your flight is delayed". Parabéns ao jovem indiano com tamanho talento de marketing que se lembrou de tal monstruosidade: é como colocar um painel no bloco de urgências de um hospital horroroso qualquer, com a seguinte mensagem, "Soon, you will wish you will never get well".
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Do Porto para Wall Street, via Índia (debate)

No Fórum do Caldeirão da Bolsa, encontro este animado debate sobre a reportagem que fiz, em Janeiro passado, sobre a aventura do empregado português Miguel na multinacional Evalueserve, em Gurgaon.
- "Antes mal pago na índia ou mesmo NY, do que doutor explorado ou desempregado em Portugal."
- "Antes saudável em Portugal, do que doente em qualquer parte do mundo."
- "É exactamente isso, é tudo uma questão relativa, a saúde, o emprego, a exploração... Se as coisas não estiverem bem e se nos oferecerem ou houverem melhores condições, nem que seja no fim do mundo, é òbvio que ficamos melhor! É tudo muito relativo, até pode ser em Portugal, na Ìndia ou em NY que as coisas ficam melhores..."
O debate inteiro, aqui.
Depois da Índia
Alrabando: Sorry, not possible / Sure, one minute
Chega-se ao escritório para mudar a reserva, olham para o computador e sorriem-nos: "sorry, not possible today, no seats available in any airline, just packed only. The earliest I can get for you is in two days". Mas ela é alemã: "No, you have to give me a ticket today, or else I will complain..." e antes mesmo de terminar a frase, interrompem, ainda sorridentes, "ok we have a seat for you today on Austrian Airlines, please give us two minutes to issue your ticket".
O mesmo hoje, no banco: "posso trocar Euros?".
- "Oh yes, sure, here is the exchange rate: 56.5. How many Euros would you like to exchange?".
- "50, please".
- "Oh, I'm very sorry, not possible, the minimum is 100 Euros."
- "But I am your customer for four years, and I have never heard about this limit!".
- "Sure sir, please just fill out this form."
O problema não é só - como em qualquer parte do mundo - as empresas recuarem só quando confrontadas com ameaças de represálias institucionais e mediáticas. O que é chocante é a volatilidade e indiferença com que tratam os clientes - a forma fácil como cedem aos que estão informados dos seus direitos e a forma estratégica com que espoliam os menos informados.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Domar os riquexós - a priori e a posteriori
Lembro-me de, nos primeiros meses desta vida em Deli, há mais de três anos, admirar a forma como os autóctones lidavam com os condutores de riquexó. Em vez de (como eu e demais estrangeiros) passarem longos minutos a discutir e a negociar o preço a priori, no meio da avenida, e só depois de chegado a consenso embarcarem, saltavam imediatamente para o interior dos triciclos motorizados, garantindo assim o lugar e negociando a posteriori.
Invejava essa estratégia corajosa com que domavam os malditos riquexós, sempre gananciosos e fugitivos quando o destino ou o preço oferecido não lhes agradava. A minha ética negocial ocidental impedia-me de dar aquele salto para o banco de trás.
Ora, de repente, um destes dias, dei por mim - qual tigre esfomeado e desesperado - a dar um monumental salto acrobático do passeio para aquele pobremente almofadado banco que sustenta entre 1 e 6 passageiros. First blood, mortífero: já não faço outra coisa e passei de vítima a predador nato.
Pensava que só serviam para o Republic Day
India readies combat camels for Darfur
NEW DELHI (AFP) — India plans to send combat-trained camels to solve the transport headache facing a fledgling UN-African Union peacekeeping force in Sudan's strife-torn Darfur region, officers here say.
India's Border Security Force (BSF) said it received a request last week from the United Nations to send the specially schooled animals to the troubled African region. (...)
The BSF in India also warned that any deployment of trained camels to transport foot soldiers in Darfur may be some time away.
"All our camels are engaged in border-guarding duties and this whole process could take a long time," said BSF spokesman Vijay Singh, adding the agency could currently spare up to 60 of its 700-plus battle-ready animals for Sudan.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
As bolhas e os ditados
Subitamente, lembro-me de dois ditados populares contraditórios:
A banda a tocar e o navio a afundar-se.
Os cães ladram e a caravana passa.
Andam os jornais indianos a celebrar o caminho para a catástrofe da sua economia, em direcção ao fundo do oceano? Ou serão os avisos e sinais de alarme internacionais (principalmente ocidentais) desmedidos, enquanto que o navio económico indiano ganha velocidade e rumo?
Qual dos dois ditados se aplicará à Sensex e às múltiplas bolhas de especulação que assolam a economia indiana?
Imagens de Deli: Barista, Connaught Place
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Citações de Deli: Ken Livingstone
Britain As India's Colony
India and Britain inhabit a world changing so rapidly that to bring out its character let's deliberately put it in stark, even 'provocative', terms. In 20 years time, only three people are guaranteed a place at the top table of the world's affairs - the presidents of the US and China and the prime minister of India. By then, the world will have shifted so much that if there were to be war between Britain and India, Britain would be more likely to end up as a colony of India than the other way round....
Noite em Deli
Hino nacional
"Ordinarily resident"
"A person is said to be ordinarily resident in a place if he uses that place for sleeping. He need not be eating in that place and may be eating from a place outside. Temporary periods of absence from this ordinary place of stay can be ignored. It is not necessary that the period of stay should be continuous for any particular length of time and should be without any break."
"On the other hand even persons living in sheds, and persons living on pavements without any roof are eligible for enrolment provided they are ordinarily resident in the sheds or on pavements in a particular area, do not change the place of residence and are otherwise identifiable."
"Inmates of jails, hospitals, beggar homes, asylums etc. should not be included in the electoral rolls of the constituency in which such institutions are located as they are staying in these institutions only for a temporary period. However, eligible inpatients of sanitaria, leprosaria, etc., where they undergo prolonged treatment may be taken as ordinary residents of these areas where such sanitaria etc. are located."
Imagens de Deli: Tibetanos
domingo, 18 de novembro de 2007
Minute Maid
sábado, 17 de novembro de 2007
Advogados atacam acusados
| Estado da justiça indiana: Angry lawyers assault JeM terrorists |
| Lucknow, Nov 17: Lawyers manhandled three JeM militants, charged with the plot to kidnap Rahul Gandhi, in the Lucknow session court premises while they were being taken to be produced before the chief judicial magistrate Saturday. |
Comendo em Deli: Andhra Bhawan
O Andhra Bhawan é a casa/representação oficial do estado do Andra Pradexe (Haiderabad) na capital. A sua cantina oferece, seis dias por semana, ao almoço e ao jantar, um simples, mas delicioso menu: um thali vegetariano custa menos de 1 Euro (INR 50), e há sempre a possibilidade de adicionar uns pedaços de frango ou preixe grelhado (INR 50 a dose). Para os mais famintos, há garçons que circulam por entre as salas a distribuir generosas porções extra. É tudo rápido e eficiente, e muito picante!
A P Bhawan Canteen
A P Bhawan
1, Ashoka Road
New Delhi - 100 001
Telefones: (011) 23382031, 23889182
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Rupias indianas
O conceito de grande potência na política externa indiana (Relações Internacionais)
Relações Internacionais, nº 15, Setembro 2007, pp. 007-020
Constantino Xavier
Este artigo argumenta que a política externa indiana é orientada, entre outras determinantes, para a obtenção de um estatuto de liderança no sistema internacional. Analisa o conceito de grande potência, identificando oito focos produtivos que sustentam e legitimam a reivindicação na óptica indiana, tais como o seu passado civilizacional, a sua concepção hierárquica do sistema internacional, o sentimento de discriminação de que se sente alvo, ou a predominância das teses realistas na sua academia e diplomacia. Propõe ainda que esta ambição deve ser integrada como variável na explicação, análise e previsão da política externa indiana, bem como na elaboração de incentivos que facilitem uma maior integração sistémica do país, minimizando assim o choque da transição para novas arquitecturas regionais e globais.
Índia: novos horizontes (Relações Internacionais)
"...torna-se urgente interpretar a pluralidade de novos horizontes indianos como mais do que um mero sintoma de futuras transformações radicais, de fim de mundos actuais, e de início de outros. Isto é, as transformações a Oriente, neste caso específico a maior integração sistémica da Índia, representam certamente desafios significativos, mas que estão longe de constituírem
ameaças imediatas para a estabilidade e o equilíbrio actual.
É justamente este o objectivo moderador que guia o presente dossiê, que procura enquadrar os novos horizontes indianos numa paisagem estratégica regional e global mais ampla. Tal passa necessariamente pela contextualização da nova política externa indiana, associando-a às dinâmicas regionais da Ásia do Sul, à corrida desenfreada aos recursos energéticos ou à cultura estratégica e Weltanschauung indiana.
O facto de todos os cinco artigos que o compõem serem resultado de investigação conduzida in situ, na Índia, contribui assim também para compreender o mundo tal como ele é visto e imaginado a partir de Nova Deli."
versão integral
sábado, 27 de outubro de 2007
Sinalização rodoviária
De regresso
domingo, 16 de setembro de 2007
Imagens de Deli: Canalizador
Agosto passado. Estivemos mais de uma semana sem uma gota de água em casa. Durante esse período a bomba de água foi aberta por quatro canalizadores diferentes que avançaram com quatro teses e quatro orçamentos diferentes. Um quinto adivinhou uma fuga de água na parede do vizinho de baixo. Como não havia humidade sequer, recusámos.Um sexto canalizador voltou à tese do primeiro, que tinha sido ridicularizada pelos congéneres intermédios: a fuga tinha sido provocada a uma dezena de metros de distância, por umas obras realizadas na conduta de gás natural. Em menos de duas horas, abriu um fosso e resolveu o problema. Uma semana, seis canalizadores e dezenas de chamadas telefónicas com o dono depois, voltávamos à civilização. Na foto, o canalizador Gopal já a fechar a obra.
India Shining
sábado, 15 de setembro de 2007
Leituras de Deli: Deli (Khushwant Singh)
E explica-se assim, mais uma vez, porque é que me deixei entusiasmar tanto por este Deli. Dá-me a conhecer uma Deli que só raramente se me apresenta, que só com muito esforço consigo imaginar à minha volta, mas que, aqui e acolá, continua a resistir aos ventos da mudança. Uma Deli omnipresente, mesmo que em rápido desaparecimento. É uma Deli que habita Defence Colony, que sobrevive em Chandni Chowk, nos Ambassadors e Marutis cobertos de ferrugem na minha rua, no gigantesco tomo em que o funcionário anota o número do meu recibo, ou nas ladies que ocupam as primeiras filas de um concerto de música clássica no India International Centre e exclamam repetidamente marvellous! .
Desilusão
Chandni Chowk (Atlântico)
PASSAGEM PARA A ÍNDIA
CONSTANTINO XAVIER EM NOVA DELI
CHANDNI CHOWK
" Do topo do minarete da Jama Masjid, com a brisa a secar o suor dos braços, miramos o imenso bazaar de Velha Deli, também conhecido por Chandni Chowk. Ao fim da tarde, o movimento é tremendo. Os ciclo-riquexós serpenteiam pelo labirinto imundo, empurrados por multidões. À venda, de tudo: joalharia, gado, pneus, vibradores, sedas, arroz e caril. Nenhum planeamento urbanístico ou coerência arquitectónica. Os edifícios encontram-se quase todos arruinados. Aqui e acolá, por baixo dos cabos suspensos no ar e por entre as emendas em betão, zinco e plástico, emerge um raro pormenor tradicional de um poço medieval, de um haveli real ou de um armazém colonial.
Do conforto das alturas, observo que este bairro tem o potencial de vir a ser um dos patrimónios históricos mais visitados da Ásia. Anuncio: um dia, ainda durante as nossas vidas, veremos Chandni Chowk convertido numa espécie de Bairro Alto, Marais ou Kreuzberg, urbanisticamente domesticado, intelectualmente cosmopolita e turisticamente atractivo. A profecia é ridicularizada pela minha companhia e apresso-me a voltar a descer para colocar os pés em terra. Ensanduíchado por um pedinte leproso, um vendedor de bugigangas e uma mulher de burca, recupero do sonho celestial: afinal, quem sou eu para prever que esta eterna e imutável Índia se irá transformar? (...) "












